Exclusão pode criar condições para o extremismo, alerta Ban

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Conselho de Segurança debateu Desenvolvimento Inclusivo para a Manutenção da Paz e Segurança Internacionais; Angola propõe mecanismos para alertar sobre conflitos; embaixador brasileiro cita implicações políticas do ébola.

Ban Ki-moon em discurso no Conselho de Segurança. Foto: ONU/Louiesen Felipe

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

O Conselho de Segurança debateu, esta segunda-feira, o Desenvolvimento Inclusivo para a Manutenção da Paz e Segurança Internacionais.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os países e sociedades podem beneficiar-se do desenvolvimento sustentável e inclusivo, independentemente do seu nível de desenvolvimento ou que estejam em conflito ou paz.

Extremismo

Ban disse haver maior consenso de que os altos níveis de desigualdade das últimas décadas são “socialmente, politicamente e ambientalmente prejudiciais”.  O chefe da ONU defendeu que o desenvolvimento que exclui uma parte da população pode ser socialmente corrosivo, contribuir para o crime e para criar uma sensação de desespero e alienação. Segundo ele, essas condições podem refletir-se no extremismo.

A sessão foi presidida pela chefe de Estado do Chile, Michelle Bachellet, na sua qualidade de líder do país que assumiu a presidência rotativa do órgão em janeiro.

Conflito

A ativista liberiana e Prémio Nobel da Paz, Leymah Gbowee, discursou na reunião onde Angola esteve representada pelo secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto.

Ban frisou que a desigualdade pode levar à concentração do poder nas mãos de poucos, minando a democracia e conduzindo à exploração dos recursos naturais não regulamentada que pode degradar o meio ambiente.

Para ele, entre os efeitos da contínua exclusão e desigualdade estão a falta de acesso a serviços básicos por pobres, migrantes, pessoas com deficiência, grupos indígenas e idosos podendo exclui-los do diálogo político. Outras consequências são a discriminação contra as mulheres e meninas e a segurança social inadequada.

Ban disse que mesmo em países em paz, o desenvolvimento inclusivo não deverá acontecer por acaso. Os governos, o setor privado e a sociedade civil devem demonstrar o seu compromisso com a educação, com a saúde e com a criação de empregos.

Reconciliação 

No debate, Angola apelou a que haja mecanismos regionais de alerta que reajam em situações de tensão antes que estas resultem em conflitos.

Para situações pós-conflito, o país lusófono sugeriu politicas para harmonizar vários aspetos com vista à reconciliação, boa governação e coesão nos países.

O embaixador brasileiro junto à ONU citou a colaboração na Guiné-Bissau da Comissão de Consolidação da Paz, PBC, por ele presidida. No país, foi criada uma iniciativa que contribuiu para aumentar  representação e participação da mulheres na monitorização de eleições presidenciais e legislativas, a Case de Veille.

Ébola 

António Patriota falou do Burundi e do encorajamento dado pela PBC às partes para que mantenham um ambiente propício para realizar eleições pacíficas e  rejeitar a violência para alcançar fins políticos. O país tem 3,7 milhões de eleitores registados para as eleições gerais deste ano.

O diplomata brasileiro disse que a Comissão tem chamado a atenção para as possíveis implicações políticas da epidemia do ébola na Guiné Conacri, na Libéria e na Serra Leoa. Como explicou, a doença ameaça corroer a coesão social e minar o funcionamento das principais instituições do Estado.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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