Estudo mostra piora nas condições de vida de refugiados sírios na Jordânia

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Avaliação é do Acnur; chefe da agência da ONU está em visita de dois dias ao país; António Guterres pediu maior apoio da comunidade internacional.

Refugiados sírios enfrentam pobreza extrema. Foto: Acnur/B.Szandelszky

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, afirmou que grande parte dos refugiados sírios estão entrando na pobreza extrema e em ritmo alarmante.

A razão, segundo ele, é a magnitude da crise e apoio insuficiente da comunidade internacional.

Estudo

Guterres fez a declaração no lançamento de um novo estudo da agência, chamado "vivendo nas sombras", em tradução livre. Conduzido pelo Acnur e pela entidade sem fins lucrativos International Relief and Development, IRD, o documento é baseado em visitas a residências de quase 150 mil refugiados sírios vivendo fora de campos na Jordânia em 2014.

O representante da ONU está em visita de dois dias ao país onde vai encontrar-se com refugiados que constam no documento. Ele também vai se reunir com autoridades jordanianas e doadores para coordenar ações para melhorar as condições de vida dos refugiados sírios e apoiar as comunidades que os abrigam.

Pobreza

De acordo com o estudo, dois terços destes refugiados na Jordânia estão agora vivendo abaixo da linha nacional de pobreza. Um em cada seis domicílios de refugiados sírios está em condição de extrema pobreza, com menos de US$ 40 ou cerca de R$ 106 por pessoa por mês.

Quase cerca de metade das residências visitadas pelos pesquisadores não tinham aquecimento e em cerca de 25% não tinha eletricidade confiável. Em 20%, não havia banheiro funcionando.

Segundo Guterres, "a menos que a comunidade internacional aumente seu apoio a refugiados, famílias vão optar por estratégias cada vez mais drásticas" para lidar com a situação. Ele mencionou que "mais crianças vão sair da escola para trabalhar e mais mulheres estarão em risco de exploração", incluindo sexo por sobrevivência.

Assistência

O conflito na Síria está chegando ao quinto ano e muitos refugiados estão se tornando cada vez mais dependentes de assistência. Os recursos e infraestrutura da Jordânia também chegaram ao limite.

Para abordar esta situação crítica, o Acnur está fornecendo assistência mensal em dinheiro para 21 mil das famílias sírias mais vulneráveis. Este número representa 14% da população síria refugiada vivendo fora de campos.

Guterres enfatizou que a crise pode ser mitigada se a comunidade internacional intensificar esforços para alivar o sofrimento dos refugiados. Ele elogiou as ações das autoridades jordanianas, do Acnur e seus parceiros para lidar com as necessidades urgentes de refugiados durante pesada tempestade de neve na semana passada.

Pressão

No total, a população síria refugiada registrada na Jordânia é de 620 mil pessoas. Cerca de 84% vivem fora de campos.

Segundo Guterres, isto representa uma "pressão dramática na economia e na sociedade do país", além do "terrível" impacto de segurança da própria crise na Síria.

Ele afirmou que a "generosidade" do povo e governo jordanianos deve ser correspondida com "apoio maciço" da comunidade internacional.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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