Equipes não conseguem entregar ajuda em Yarmouk há quase dois meses

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Confrontos atingem campo para refugiados na Síria, que abriga 18 mil pessoas; alerta foi feito ao Conselho de Segurança pela vice-coordenadora humanitária da ONU; segundo Kyung-Wha Kang, itens médicos foram retirados de comboio que tentava entrar em Homs.

Kyung-wha Kang. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança ouviu nesta quarta-feira as atualizações sobre a situação na Síria, apresentadas pela secretária-geral assistente para Assuntos Humanitários da ONU.

Kyung-Wha Kang lembrou que o país entra no quinto ano de um conflito caracterizado por "extrema violência e brutalidade". Ela denunciou bombardeios realizados pelo governo em áreas povoadas, citando um ataque na área rural de Damasco, que matou quase 100 pessoas na última semana.

Sem Acesso

Os explosivos também continuam sendo utilizados por grupos da oposição e por "organizações terroristas", nas palavras de Kang. Segundo a vice-chefe humanitária, o Isil controla várias áreas da Síria e há relatos de execuções e de mulheres vítimas de escravidão sexual.

Kang também chamou a atenção para as dificuldades no campo de Yarmouk, que abriga refugiados palestinos e deslocados internos. 

Segundo a representante, cerca de 18 mil pessoas que vivem em Yarmouk estão sem receber ajuda humanitária desde 6 de dezembro, devido aos confrontos dentro e na região do acampamento.

Itens de Saúde

Kang lembrou que antes, as entregas já eram esporádicas e insuficientes. Apesar das dificuldades, as equipes da ONU e de ONGs conseguiram entregar comida, água e itens de higiene a milhões de civis em outras regiões da Síria, como Alepo.

Mas ao Conselho de Segurança, a vice-chefe humanitária da ONU lamentou que forças de segurança do governo impediram a entrada de medicamentos em Homs.

Segundo Kang, neste mês, apesar do apoio do governador de Homs, as forças de segurança removeram todos os itens cirúrgicos, kits para diarréia e de saúde reprodutiva que estavam num comboio de várias agências humanitárias. A ação não respeitou a lei internacional humanitária.

Doações

Ela lembrou que a violência na Síria fez com que 7,6 milhões de civis deixassem suas casas e fossem viver como deslocados internos, além de 3,8 milhões de sírios que tornaram-se refugiados em países vizinhos.

Kang apelou ao Conselho de Segurança para que encontre uma maneira de encerrar o conflito na Síria. Segundo a representante, são necessários US$ 2,9 bilhões para ajudar a população do país este ano e alertou que em 2014, só foi recebido 48% do dinheiro necessário.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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