Criar peixes pode impulsionar “nova revolução verde” em África, diz FAO

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Chefe da agência destaca bons resultados da atividade; um dos exemplos é a criação da tilápia, originária do continente africano; representante diz haver ainda muito por explorar em relação à produção alimentar.

Mulher à pesca num rio no Camboja. Foto: FAO

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O diretor-geral da Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, disse que a criação de peixes pode impulsionar o desenvolvimento da produção alimentar em países africanos com défice de alimentos.

José Graziano da Silva falou à Rádio ONU, em Nova Iorque, onde participou numa reunião sobre a relação da consolidação da paz e a segurança alimentar.

Tilápia

“A nova revolução verde se dá na pesca. A aquicultura, a criação de peixe doméstico e selecionado, é o que tem demonstrado os melhores resultados. O Brasil há muitos anos atrás importou a Tilápia da África, que é originária do Nilo.”

Graziado da Silva explicou como foi melhorada a qualidade da espécie de peixes com origem no continente africano, pela companhia dedicada à pesquisa de pecuária do Brasil.

Vantagem

“A tilápia da Embrapa hoje é 25% mais produtiva do que a Tilápia originária da África. A cada quilo de ração ela produz um quilo de peixe, o que é realmente uma grande esperança para prover a África, que tem recursos abundantes da água, de uma proteína de muito boa qualidade. A aquicultura tem ainda a vantagem de que implantando a produção de peixe não precisamos derrubar a floresta tropical para criar pastagem.”

A agência da ONU anunciou que apoia a melhora de sementes de produtos como arroz, sorgo e milho nas áreas do Sahel e do norte de África, onde há deficiência de sementes de alta produtividade.

O trabalho é realizado em parceria com a Aliança para a Revolução Verde em África, Agra, liderada pelo antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

“Sem boas sementes não adiante usar fertilizantes, as sementes não respondem aos fertilizantes. Então, África está dando passos hoje para implementar a revolução verde. A FAO tem trabalhado junto com a Agra e o Centro do Arroz, África Rice, para melhorar as sementes.”

Para Graziano da Silva, África ainda tem muito por explorar em relação ao potencial da revolução verde, que permitiu aumentar a disponibilidade de alimentos nos últimos 50 anos em várias partes com destaque para Ásia.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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