Conselho de Segurança condena nos “termos mais fortes” atos do Boko Haram

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Órgão realça que ações “podem constituir crimes contra a humanidade”; declaração saúda encontro de países da região, esta terça-feira, em Niamey para abordar ameaça do grupo que considera terrorista.

Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/JC McIlwaine

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou nos “termos mais fortes” a recente escalada de ataques do Boko Haram, numa declaração que expressa profunda preocupação com as ações do grupo extremista islâmico.

O documento menciona o que considera como "série de atentados suicidas chocantes no norte Nigéria", ao realçar que estes minam a paz e a estabilidade nas regiões da África Oriental e Central.

Crimes

O Conselho destaca ainda os ataques crescentes na área da Bacia do Lago Chade, ao longo das fronteiras da Nigéria, e declara que no geral os atos do Boko Haram ”podem constituir crimes contra a humanidade.”

Antes da aprovação do documento, a Rádio ONU conversou com o secretário de Estado para as Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos Augusto, que destacou que o seu país vai ajudar a buscar soluções para deter o grupo.

Angola

“Note-se que há uma coligação internacional hoje para combater o Estado Islâmico. Poderíamos dizer até que o parentesco e a similaridade com a situação da Nigéria quase que nos obriga a um copy paste da comunidade internacional para abordar essa questão. Portanto, Angola vai dar a sua contribuição ativa no debate e na procura de soluções que possam levar a comunidade internacional a assistir África e os países diretamente envolvidos neste combate que é de todos.”

Angola está como membro não-permanente do Conselho de Segurança, um assento que ocupa até finais de dezembro de 2016.

Desarmamento

Na declaração, o Conselho saudou os planos da realização de uma reunião de países da região, esta terça-feira, na capital nigerina Niamey, para abordar a ameaça levantada pelo Boko Haram.

O órgão disse ainda ter tomado conhecimento da decisão da Comissão da Bacia do Lago Chade e do Benim para operacionalizar a Força-Tarefa Multinacional Conjunta. Entre as metas está  a criação da sede da entidade e o envio de contingentes nacionais para conduzir  operações militares contra o Boko Haram.

Na declaração, o Conselho de Segurança exige que o grupo cesse imediata e inequivocamente todas as hostilidades, abusos de direitos humanos e violações do Direito Internacional Humanitário, além do seu desarmamento e desmobilização.

O órgão condena com veemência e deplora abusos que desde 2009 são perpetrados pelo grupo que chama de terrorista. Entre estes contam-se atos como violência contra populações civis, principalmente mulheres e crianças.

Uma exigência da libertação imediata e incondicional de todos os sequestrados pelo grupo, inclui as 276 estudantes raptadas na área nigeriana de Chibok em abril passado.

Deslocamentos

Somente no norte da Nigéria, a ONU estima que mais de 900 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, fugiram das suas casas. Mais de 300 escolas teriam sido severamente danificadas ou destruídas e centenas de crianças assassinadas.

O Conselho de Segurança manifestou preocupação com a escala da crise humanitária crescente na área onde ocorrem as operações do Boko Haram,  e realça o deslocamento de nigerianos à larga escala para os vizinhos Camarões, Chade, Níger.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 14 DE DEZEMBRO DE 2017
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