Cepal: América Latina tem chance histórica de relações com China

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Secretária-executiva da Comissão Econômica da ONU participa em Pequim do primeiro fórum conjunto entre nações latino-americanas e do país asiático; em 13 anos, comércio bilateral chegou a valer US$ 275 bilhões.

Expansão da economia chinesa tem sido moderada. Foto: Cepal/ Zhou Haijun/Xinhua

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A Comissão Econômica da ONU para América Latina e Caribe, Cepal, acredita que a região tem uma "oportunidade histórica" de fortalecer suas relações comerciais com a China.

A Cepal preparou um estudo sobre o tema, que foi apresentado esta quinta-feira no Primeiro Fórum da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e a China, que está sendo realizado em Pequim. A secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, participa do encontro.

Bilhões

O estudo ressalta que entre 2000 e 2013, a China tornou-se parceira central para América Latina e Caribe. O comércio entre ambas as partes passou de US$ 12 bilhões para US$ 275 bilhões, que em números atuais valeriam cerca de R$ 740 bilhões.

Mas segundo a Comissão, desde 2012, o ritmo de expansão da economia chinesa tem sido moderado, com um modelo de desenvolvimento mais focado no consumo interno e menos nas exportações.

Indústrias

A Cepal sugere que o excesso de capacidade de várias indústrias chinesas, aliado ao aumento dos custos laborais e de oportunidades rentáveis para investir seu superávit, deveriam gerar maior saída de capital chinês ao exterior.

Para ajudar a resolver o déficit comercial da China, a Comissão da ONU explica que a América Latina poderia direcionar investimento estrangeiro direto para outros setores que não sejam indústrias extrativistas (que representaram quase 90% do investimento estrangeiro direto na China na última década).

Estratégia

A Cepal sugere investimentos nos setores de serviços, infraestruturas, energia, transportes e logística. Segundo o estudo, a América Latina oferece oportunidades interessantes de capital, já que seu mercado consumidor cresce cada vez mais.

O setor de agricultura e alimentação tem um "enorme potencial", uma vez que a região poderia ter um papel estratégico em ajudar a garantir a segurança alimentar na China. O país asiático tem 7% das terras aráveis do mundo e precisa alimentar 22% da população mundial.

Turismo

A Cepal diz que o desafio para os governos é definir em quais projetos em comum o investimento chinês possa ser melhor utilizado. E o investimento latino-americano na China está "num estágio inicial", segundo a Comissão da ONU.

O estudo fala na oportunidade de se aproveitar novos nichos de mercado que estão surgindo com o desenvolvimento social chinês, em especial na agroindústria, turismo, entretenimento, arquitetura e planejamento de cidades.

Para a Cepal, o principal desafio para nações da América Latina e do Caribe é criar relações mais fortes com a China e a Ásia no geral e ter políticas domésticas sobre inovação, competitividade, ciência, tecnologia e comércio internacional.

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