Ban diz a líderes mundiais que 2015 é ano para "ação global"

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Na Assembleia Geral, secretário-geral declara que próximos meses trazem a oportunidade de garantir "dignidade para todos"; Ban Ki-moon anuncia alguns destaques da próxima agenda internacional sobre desenvolvimento sustentável.

Ban Ki-moon na Assembleia Geral. Foto: ONU

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Para o secretário-geral da ONU, os próximos meses trazem a oportunidade de garantir dignidade para todas as pessoas do mundo. Ban Ki-moon fez o pronunciamento na Assembleia Geral, na tarde desta quinta-feira.

Segundo Ban, "2015 pode e deve ser o momento para ação global". Ele relembrou alguns acontecimentos de 2014, um "ano difícil" na opinião do secretário-geral, quando mais de 100 milhões de pessoas precisaram de assistência humanitária.

Extremismo

Ban falou sobre o aumento do extremismo e o surto de ebola que surgiu na África Ocidental. Olhando para o futuro, o secretário-geral acredita que 2015 traz chance de avanços em três pilares: desenvolvimento, paz e direitos humanos.

O chefe da ONU lembrou que neste ano, será adotada uma nova agenda internacional de desenvolvimento, focada na sustentabilidade. Ban afirmou que seu objetivo é criar sociedades inclusivas, instituições fortes e promover a prosperidade.

O secretário-geral informou que está propondo seis "elementos essenciais" para a nova agenda: autonomia feminina, participação, educação e saúde, incluindo direitos reprodutivos e saúde sexual, e fim da violência contra as mulheres.

Conferências

Segundo Ban Ki-moon, o sucesso da nova agenda de desenvolvimento depende ainda do combate à mudança climática. Neste sentido, ele apelou aos governos para que definam compromissos ambiciosos e pediu às nações devenvolvidas que cumpram a meta de se alcançar US$ 100 bilhões por ano para o financiamento de ações sobre o clima.

O secretário-geral disse que 2015 terá "quatro paradas cruciais". A primeira será em março, no Japão, na Conferência Mundial sobre Redução do Risco de Desastres naturais, onde os países devem firmam compromissos para aumentar a resiliência.

O segundo momento será em julho, na Etiópia, com um possível acordo sobre investimentos para o crescimento econômico das nações. Em setembro, em Nova York, ocorre o terceiro encontro, quando os governos devem adotar a nova agenda para o desenvolvimento sustentável.

Estudantes da Nigéria

A quarta parada será em dezembro, em Paris, onde a expectativa é para a assinatura de um acordo universal para reverter os efeitos da mudança climática.

Ao focar seu discurso no tema da paz e da segurança, Ban disse ser preciso prestar mais atenção ao extremismo e ao crime organizado, mas lembrou que a resposta não pode ficar limitada à ação militar.

O secretário-geral aproveitou para fazer um novo apelo aos militantes dos grupos Boko Haram e Dash, que sequestraram meninos e meninas na Nigéria. Ele se dirigiu aos sequestradores, ao lembrar que eles tem o poder de acabar com esses atos e salvar vidas.

Sobre o terceiro pilar da ONU, direitos humanos, Ban Ki-moon afirmou que continua muito preocupado com países que ainda aplicam a pena de morte e pediu controle da "intolerância enfrentada por migrantes, refugiados, minorias e outros grupos marginalizados".

Sete Décadas

O secretário-geral disse estar "horrorizado com ações sem escrúpulos de traficantes que abandonam migrantes no mar". Ban lembrou também que 2015 marca o início da Década Internacional para os Afrodescendentes.

Por fim, o secretário-geral ressaltou que este é um ano importante: o aniversário de 70 anos das Nações Unidas. Aos líderes internacionais, Ban Ki-moon destacou que todos têm uma grande responsabilidade pela frente, mas também um ano de oportunidades.

 

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