Unfpa pede promoção do acesso à saúde para jovens em Moçambique

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Agência da ONU apresentou em Maputo os dados de um relatório global sobre a população mundial em 2014; alto nível de gravidez entre adolescentes moçambicanas preocupa.

Foto: Unicef Moçambique

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.

O Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, apresentou na capital de Moçambique os dados do relatório "O Estado da População Mundial 2014". O documento aponta como prioridades reduzir a mortalidade infantil, garantir autonomia às meninas, aumentar o emprego entre jovens e estimular o crescimento económico.

Segundo o Unfpa, o mundo tem atualmente 1,8 mil milhão de jovens. Ao apresentar o relatório em Maputo, a representante do Unfpa em Moçambique afirmou à Rádio ONU que o país tem feito progressos. Bettina Maas reconhece, entretanto, que são necessários mais esforços.

Gravidez

"Ainda temos muitos desafios nesse tema em Moçambique, estamos a ver que o nível de gravidez na adolescência ainda é muito alto. As raparigas ainda não têm acesso à escola secundária e as infeções do HIV estão altas, particularmente nas raparigas. Então se o potencial destas raparigas não se realiza, o futuro vai ser desafiante daqui a 10 anos."

A ideia de apostar nos jovens também foi reforçada pela oficial de campo da Associação Coalização, Margarida Jeiambe.

Precauções

"A sociedade que investe na educação da juventude garante o fortalecimento da economia nacional e as ações tendentes à melhoria da qualidade de vida das famílias. Evita que adolescentes e jovens muito cedo vejam seus sonhos moribundos, por um lado porque se infetaram pelo vírus do HIV, por outro porque algumas jovens são obrigadas a casar cedo e por conseguinte engravidarem, colocando-se na rampa do sofrimento caso não tenham uma mão que lhes conduza novamente à vida"

Já o especialista em demografia Carlos Arnaldo defendeu na entrevista à Rádio ONU que a educação é fundamental para estimular o crescimento económico.

Investimentos

"Para países como Moçambique, é imperioso que acelere a transição demográfica, ao mesmo tempo que se invista massivamente na saúde e na educação técnico-profissional como modo de assegurar um capital humano com potencial produtivo. Por um lado, o país deverá envidar esforços para concretizar um processo de transição demográfica sustentável, e por outro deverá providenciar formação adequada à sua crescente força de trabalho que resultará da transição demográfica ora iniciada".

Por sua vez, o representante da FAO em Moçambique, Castro Camarada, elogiou o relatório e disse que o mesmo irá ajudar na previsão das necessidades de alimentos que o país precisa.

Opção

"À medida que se muda a estrutura etária, vamos tendo uma população cada vez mais jovem e vamos tendo no campo uma população rural relativamente mais velha. Portanto esta mudança também vai ter implicações da forma como nós vamos produzir alimentos no futuro. Temos que encorajar os jovens a investir na agricultura e agro-negócios como forma não só de produção de alimentos e de riqueza, mas também para encontrar emprego todos os anos."

Junto ao documento do Unfpa, Moçambique produziu o suplemento "O poder de 8 milhões: adolescentes e jovens moçambicanos na transformação do futuro".

O relatório global indica que mais de 500 milhões de jovens lutam para sobreviver com menos de US$ 2 por dia (cerca de 70 meticais em Moçambique).

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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