Líbia: ONU destaca morte de centenas em confrontos desde agosto

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Conflito fez  pelo menos 120 mil deslocados; chefe de direitos humanos alerta envolvidos nos combates da responsabilização penal por graves abusos; Bengazi teve pelo menos 450 mortos em dois meses.

Mais de 120 mil deslocados desde agosto.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas estimam que centenas de civis foram mortos em combates ocorridos desde o fim de agosto na Líbia.

Um relatório, publicado esta terça-feira, aponta para pelo menos 120 mil deslocados pelo conflito que resultou numa crise humanitária. O documento envolveu o Escritório da ONU para os Direitos Humanos e a Missão das Nações Unidas na Líbia, Unsmil.

Abusos

O alto comissário para os direitos humanos alertou às partes envolvidas nos combates da responsabilização penal por graves abusos dos direitos humanos e do direito internacional humanitário pelo Tribunal Penal Internacional, que investiga a situação na Líbia.

Zeid Al Hussein destaca que o comandante de um grupo armado é criminalmente responsável, à luz do direito internacional, caso venha a cometer ou dê ordens para a prática de graves violações dos direitos humanos. A medida aplica-se se este não tomar medidas razoáveis e necessárias para prevenir ou punir a prática.

Bombardeamentos

O estudo documenta danos causados a civis, que incluem bombardeamentos indiscriminados das suas áreas de residência e sequestros. Os atos incluem tortura, relatos de execuções, destruição deliberada de propriedades e outros graves abusos e violações do direito internacional ocorridos em várias partes do país.

Na área de Warshafana, a oeste, combates entre grupos armados rivais provocaram a morte de cerca de 100 pessoas e feriram 500 entre o fim de agosto e o início de outubro.

A crise humanitária líbia é marcada pela grave escassez de alimentos e suprimentos médicos. Centenas de casas, campos agrícolas e outros empreendimentos também foram destruídos. Cerca de 170 pessoas teriam morrido em combates nas montanhas Nafusa, na fronteira com Warshafana.

Bengazi

Em Bengazi, onde os combates intensificaram-se em meados de outubro, 450 pessoas teriam morrido. As carências incluem na área de assistência médica, devido a hospitais atingidos ou ocupados por grupos armados.

A Unsmil afirma ter recebido relatos de combatentes uniformizados de funcionários do Crescente Vermelho numa das suas ambulâncias, que teriam levado a cabo um ataque suicida. Bengazi teve cerca de 90 mil deslocados.

Na segunda maior cidade líbia, mais de 5,6 mil integrantes da comunidade tawergha foram deslocados pela segunda vez. Há três anos, o primeiro  deslocamento forçado deveu-se à ação de grupos armados de Misrata.

Reféns

O relatório destaca ainda o sequestro de dezenas de civis por todos os lados por suspeitas de nível tribal, familiar ou filiação religiosa. Por várias vezes, estes foram feitos reféns para que fossem trocados pelos detidos pelos grupos adversários.

A Unsmil disse ter recebido denúncias de tortura e de outros abusos ligados a maus-tratos aos detidos. O motivo de maior preocupação da operação de paz é o aumento das tensões políticas e das hostilidades.

Raptos

Os alvos dos grupos armados incluem ativistas de direitos humanos, políticos, profissionais de comunicação social além de figuras públicas. As ações contra as vítimas incluem raptos, ameaças, saques ou incêndio das suas residências.

O representante especial do secretário-geral da Líbia, pediu a todos os lados do conflito que cessem imediatamente as hostilidades. O apelo de Bernardino León aos líderes políticos e militares é que participem num verdadeiro diálogo político para que a Líbia saia da crise.

 

 

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