Relatório da ONU destaca 600 mortes de crianças sul-sudanesas

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Violência que já dura um ano a causar situação "arrasadora" na opinião da representante especial das Nações Unidas; Leila Zerrougui afirma ainda que menores tem sido alvo de ataques por todos os lados em conflito.

Crianças no Sudão do Sul. Foto: ONU/JC McIlwaine

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.  

O conflito iniciado há um ano no Sudão do Sul gerou muitos contratempos para a protecção das crianças no país. Esta é uma das conclusões do primeiro relatório do secretário-geral sobre os impactos do confronto armado na vida dos menores sul-sudaneses.

O documento reporta "graves violações dos direitos das crianças", que teriam sido cometidas entre março de 2011 e setembro deste ano. Após dois anos de relativa paz, a vulnerabilidade dos pequenos cresceu de forma dramática com o retorno dos confrontos, em dezembro de 2013.

Alvo

Segundo o relatório, a quantidade de graves violações contra menores cometidas em menos de um ano chega a ser maior do que os números de 2012 e de 2013 juntos.

A representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados partilhou esta terça-feira a sua opinião sobre o relatório. Para Leila Zerrougui, os dados "são arrasadores", uma vez que as crianças estão a ser atingidas directamente por todas as partes em conflito.

Assassinatos

O relatório fala em mais de 600 crianças mortas entre dezembro do ano passado e setembro deste ano. Durante o mesmo período, milhares de menores foram vistos a atuar como soldados por diversos grupos armados.

As Nações Unidas documentaram dezenas de casos de meninos e meninas vítimas de violência sexual, mas acredita-se que o número real seja maior. Escolas foram atacadas ou usadas para fins militares.

Hospitais também sofreram ataques e cerca de 6 mil crianças foram registadas após terem sido separadas de suas famílias, estarem desacompanhadas ou perdidas.

Falta de Avanços

Em meados do ano, o Exército de Libertação do Povo do Sudão, Spla, se comprometeu a acabar e prevenir o recrutamento de crianças soldados. Parte das forças da Spla que agora estão na oposição e são lideradas pelo ex-vice-presidente Riek Machar, também firmaram o compromisso de proteger as crianças do conflito.

Mas a representante da ONU, Leila Zerrougui, lembra que seis meses depois, ainda espera-se a libertação dos meninos e meninas e que mais ações importantes sejam tomadas para evitar que as crianças sejam vítimas da violência.

O relatório pede ao governo do Sudão do Sul para desenvolver um programa de desarmamento, desmobilização e reintegração das crianças que deixam os grupos armados. Outro apelo é para que se leve à julgamento os combatentes  que violam os direitos dos menores.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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