OIT afirma que 80% da população de 44 países não têm proteção de saúde

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Relatório da agência da ONU mostrou que essas pessoas são privadas do direito porque não podem pagar pelo serviço; no mundo, índice dos que não têm acesso aos serviços de saúde chega a 40%, ou seja quase 3 bilhões de pessoas.

Mulher é examinada na Índia. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, divulgado esta terça-feira, alerta que 80% da população de 44 países vivem sem qualquer tipo de proteção à saúde.

No mundo inteiro, a OIT afirma que 40% não têm acesso aos serviços de saúde, isso significa quase 3 bilhões de pessoas.

Proteção Universal

O diretor-geral da agência, Guy Rider, declarou que a proteção universal de saúde é a "chave" na luta contra a pobreza, para reduzir a desigualdade e nutrir o desenvolvimento econômico.

Segundo Rider, essas questões não podem ser ignoradas nas políticas de desenvolvimento.

A OIT informa que desde 2010, políticas de consolidação fiscal paralisaram ou reverteram medidas a favor de uma cobertura universal de saúde. Essas políticas aumentaram os gastos financeiros das famílias, cortaram serviços de saúde e reduziram os salários dos trabalhadores do setor.

O estudo chamado "Enfrentando a Crise Global de Saúde: Políticas de Proteção Universal de Saúde" afirmou que na África, 80%  dos que vivem em Burkina Fasso, Camarões, Guiné e Serra Leoa não têm serviços do tipo.

Na Ásia, foram registrados problemas iguais na Índia, onde também 80% da população não têm qualquer tipo de cobertura de saúde. Ainda na lista estão Azerbaijão, Bangladesh, Haiti, Honduras e Nepal.

Brasil

Segundo o relatório, o Brasil, assim como a Argentina, o Canadá, Portugal, Espanha, França e Reino Unido, está entre as nações onde a cobertura de saúde atinge mais de 95% da população.

O documento diz ainda que as pessoas que trabalham no setor de saúde são muito mal pagas. A OIT calcula que são necessários mais de 10 milhões de funcionários da área de saúde para suprir a falta de especialistas.

A organização mostra que em países como Haiti, Níger, Senegal e Serra Leoa a taxa de trabalhadores de saúde é de 5 ou menos para cada 10 mil pessoas. Na Finlândia, por exemplo, são 269 trabalhadores para o mesmo número de pacientes.

Áreas Rurais

A situação piora nas áreas rurais, onde 56% da população não têm nenhum tipo de proteção de saúde. Esse índice cai para 22% nas regiões urbanas.

A OIT diz ainda que o investimento na área leva a um crescimento econômico sustentável, aumento da produtividade e bem-estar da população. Essa é a razão para a expansão da cobertura de saúde em países como Benin, Gabão, China, Filipinas e Estados Unidos.

A organização afirma que para superar a crise no setor são necessárias políticas em direção a uma cobertura universal de saúde.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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