"Novo padrão climático" pode reduzir em 70% produtividade da soja no Brasil

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Relatório do Banco Mundial diz que sem maior adaptação pode haver ainda redução de até 60% no caso do trigo, considerando-se um aumento de 2°C na temperatura até 2050; fenômeno é risco para desenvolvimento da América Latina.

Foto: PMA/Jane Chirwa

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório do Banco Mundial divulgado esta quarta-feira mostra que um novo padrão climático pode reduzir em 70% produtividade da soja no Brasil.

Segundo o documento, "à medida que o planeta fica mais quente, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos que ocorriam uma vez a cada cem anos, se muito, podem ser mais frequentes”, criando um mundo de riscos e instabilidade crescente.

COP 20

Se não houver maior adaptação, a produção do trigo pode cair até 60%, se for considerado um aumento de 2°C na temperatura até 2050.

A avaliação consta em novo relatório global do Banco Mundial chamado "Diminuir o calor III: Enfrentando o novo padrão climático".

O capítulo da América Latina e Caribe foi lançado em Washington, a capital americana. A publicação coincide com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP 20, que começou esta semana em Lima, Peru.

América Latina

Segundo o órgão, "o relatório regional analisa os impactos do aquecimento atual de 0,8°C e dos possíveis aumentos futuros de 2°C e 4°C acima dos níveis pré-industriais sobre a produção agrícola, os recursos hídricos, os serviços dos ecossistemas e a vulnerabilidade costeira em toda a América Latina e Caribe".

O documento afirma ainda que as consequências desse fenômeno para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe serão graves.

O Banco Mundial menciona a diminuição das colheitas, a alteração dos recursos hídricos, o aumento do nível do mar, como também o risco colocado ao turismo, à saúde e aos meios de subsistência de milhões de pessoas.

A publicação cita ainda impactos econômicos. Levando em conta um cenário de aumento de 4º Celsius em 2050, danos causados por enchentes costeiras poderão causar perdas em torno de US$ 22 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 56 bilhões.

Relatório

O documento tem como base o relatório global de 2012 elaborado pelo Banco, que concluiu que "se medidas adequadas não forem tomadas imediatamente, o mundo poderá sofrer uma elevação de temperatura de 4º Celsius acima dos níveis pré-industriais no final deste século".

A publicação afirma ainda que os efeitos das mudanças no clima podem ser inevitáveis porque o "sistema atmosférico da Terra está preso a um aquecimento próximo a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até meados deste século".

Segundo o relatório, mesmo considerando um aquecimento abaixo de 2°C, a maioria dos países da América Latina e do Caribe "necessitará realizar intervenções significativas de adaptação para alcançar os objetivos de erradicação da extrema pobreza".

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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