Ban destaca clima e fim da guerra na Síria em entrevista de fim de ano

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Secretário-geral disse a correspondentes na sede da ONU que países avançaram na produção de um texto para a próxima rodada de negociações, que começa em fevereiro; acordo final deve estar pronto em dezembro de 2015.

Ban Ki-moon em visita ao acampamento de refugiados de Dadaab, no Quênia, em outubro deste ano. Foto: ONU/Evan Schneider

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral das Nações Unidas concedeu uma entrevista de fim de ano a jornalistas, nesta quarta-feira, na sede da ONU, em Nova York.

Ban Ki-moon começou o encontro falando de mudança climática e sobre as negociações para um acordo sobre o tema, esperado para dezembro de 2015.

Fundo Verde

Ban elogiou a cooperação dos países-membros da ONU e disse que eles ajudaram a levar clareza ao tema da mitigação e outros compromissos que constam de planos nacionais de ação. Os participantes do encontro em Lima, no Peru, a COP-20, também acordaram um esboço de texto que servirá como base para as negociações que começaram em fevereiro.

O acordo sobre mudança climática deve substituir a segunda fase de cumprimentos do Protocolo de Kyoto. O chefe da ONU lembrou ainda que os países ajudaram a capitalizar o Fundo Verde do Clima com uma quantia de US$ 10 bilhões, equivalentes a mais de R$ 27 bilhões, com o objetivo de avançar uma agenda de baixo carbono.

Ao comentar a reta final das Metas do Milênio, que expiram em 2015, Ban disse que o mundo está prestes a tomar uma ação histórica para transformar vidas e proteger o planeta com a nova agenda de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que devem ser aprovados pelos líderes internacionais em 2015.

Ebola

Mas para o chefe da ONU, 2014 foi marcado também por desafios.

Ban contou que em todo o mundo, as operações de paz, a diplomacia e os serviços de ajuda humanitária foram levados ao extremo. Segundo ele, mais de 100 milhões de pessoas precisam de assistência para sobreviver, e outros 50 milhões foram forçados a sair de suas casas, um número recorde desde a Segunda Guerra Mundial. O surto de ebola na África Ocidental também representou desafios sem precedentes à comunidade internacional. Uma situação que levou a ONU a formar, pela primeira vez em sua história, uma missão de saúde de emergência.

O chefe das Nações Unidas informou que visitará a região afetada pelo ebola a partir desta quinta-feira. A viagem inclui: Guiné, Libéria, Mali e Serra Leoa, além de Gana, onde fica o centro da Missão de Combate ao Ebola, Unmeer. Acompanham Ban a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, e o enviado especial sobre ebola, David Nabarro.

Armas Químicas

Ban Ki-moon voltou a elogiar o trabalho dos agentes de saúde que tratam dos pacientes de ebola. Segundo ele, existem avanços no combate ao surto, mas ainda faltam recursos e o mundo tem de fazer tudo para chegar a zero caso da doença.

Ao citar os conflitos ao redor do mundo, o chefe da ONU lembrou da Síria e do programa de eliminação de armas químicas no país. Ele falou ainda do Sudão do Sul e da política de abrir as portas aos civis, o que ajudou a salvar milhares de vidas. Mas ainda há 100 mil pessoas vivendo em bases da missão de paz da organização, e a situação continua delicada.

Ban citou ainda os casos de extremismo na Nigéria e no Iraque, e disse que o conflito na Ucrânia tem implicações regionais e globais. Ele voltou a defender a solução de dois Estados, um israelense e outro palestino, para ajudar a solucionar o conflito no Oriente Médio.

Ao olhar para o futuro, Ban Ki-moon comentou o que acredita ser os quatro imperativos para a agenda de desenvolvimento em 2015.

Para Ban Ki-moon, o mundo tem que manter a ambição de gerar uma nova agenda de desenvolvimento assegurando o acordo sobre mudança climática.

O chefe da ONU disse ainda que 2015 tem que ser o ano em que o que chamou de "pesadelo na Síria" acabe, evitando a escalada de outras situações preocupantes.

Ele defendeu ainda que o mundo tem que fazer mais para combater o extremismo e o aumento de partidos políticos de extrema direita que alvejam minorias, migrantes e em particular pessoas da fé islâmica.

E por último, o chefe da ONU quer que as Nações Unidas continuem se adaptando a uma nova realidade global.

Ban Ki-moon encerrou a conversa com jornalistas dizendo que presenciou bastante sofrimento em suas viagens a trabalho neste ano, que foram de Bangui, capital da República Centro-Africana, a Gaza, nos territórios palestinos, e o acampamento de refugiados de Dadaab, no Quênia

Ao marcar os 70 anos das Nações Unidas em 2015, o secretário-geral afirmou que a organização tem o dever de resolver os problemas criados e de responder ao chamado de todos os povos para construir um mundo com prosperidade partilhada e desenvolvimento sustentável.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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