Unodc alerta que uma em cada 3 vítimas de tráfico humano é criança

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Relatório da agência da ONU afirma que mulheres e meninas representam 70% das pessoas traficadas no mundo; no Brasil tráfico para exploração sexual aumentou mais de 100% entre 2010 e 2012.

Relatório Global sobre Tráfico Humano. Imagem: Unodc

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, alertou que meninas e mulheres representam 70% das pessoas traficadas no mundo entre 2010 e 2012.

O Relatório Global sobre Tráfico Humano divulgado esta segunda-feira, mostrou que uma em cada três vítimas é criança, o que representa um aumento de 5% em relação ao período anterior, entre 2007 e 2010.

Brasil

O documento diz que no Brasil, o tráfico para exploração sexual aumentou mais de 100%, passando de 59 para 149 casos. O Unodc informou ainda que pelo menos 3 mil pessoas são usadas para trabalho escravo ou forçado no país todos os anos.

Entre 2010 e 2012, dos 257 indiciados por crimes envolvendo tráfico humano no Brasil, apenas 35 foram condenados pela justiça, sendo 22 brasileiros e 13 estrangeiros.

O país é mencionado no estudo também por um caso de aliciamento através de um relacionamento amoroso falso entre o traficante e a vítima, como parte de um esquema de exploração sexual de mulheres na Europa.

Um cidadão europeu foi declarado culpado por ter aliciado a brasileira e condenado a cinco anos de prisão.

Ao chegar à Europa, os criminosos tomaram o passaporte da vítima, que foi aprisionada e forçada a trabalhar como prostituta tendo que gerar uma certa quantia em dinheiro diariamente para o traficante.

O país também é apontado como destino de bolivianos assim como a Argentina, o Chile e o Paraguai.

Quanto ao destino das vítimas das Américas para Portugal e Espanha, o estudo cita uma mudança. As vítimas originárias da América do Sul, da América Central e do Caribe são agora detectadas na própria região.

Crianças

O relatório diz que entre as crianças traficadas no mundo, a maioria é de meninas.

Os últimos anos foram marcados pelo aumento constante do trabalho forçado, principalmente entre as mulheres que representam 35% das vítimas. O relatório aponta como destino as áreas da indústria, da construção, do trabalho doméstico e da produção de têxteis.

Os países da África Subsaariana destacam-se pelo tráfico que ocorre dentro das suas fronteiras. Os casos mais comuns envolvem tanto meninos como meninas, enquanto no norte da África e no Oriente Médio são, em sua maioria, adultos. A região subsaariana também acumula os maiores índices do tráfico de crianças para conflitos armados.

Mercado 

Em termos de variações por região, na Europa e na Ásia Central as vítimas são em grande parte destinadas à exploração sexual. No Leste Asiático e no Pacífico, o trabalho forçado impulsiona o mercado, enquanto nas Américas, foram detectados os dois tipos quase na mesma proporção.

O diretor executivo do Unodc afirmou que o relatório demonstra que não há lugar no mundo onde crianças, mulheres e homens estejam livres do tráfico humano.

Escravidão

Yury Fedotov realça que os dados oficiais reportados pelas autoridades dos países à agência representam apenas o que foi registrado, ao defender que está  muito claro que a escala da escravidão moderna é muito pior.

O estudo aponta para pelo menos 152 países de origem e 124 países de destino das vítimas do tráfico, e que há mais de 510 fluxos de tráfico no mundo. O fenômeno ocorre principalmente dentro das fronteiras nacionais ou na mesma região, com o tráfico transcontinental atingindo principalmente os países ricos.

Impunidade

Cerca de 72% dos traficantes condenados são do sexo masculino e cidadãos do país em que operam. Mas o relatório destaca que a impunidade continua sendo um problema grave com 40% dos países registrando poucas ou nenhuma condenações.

O relatório mostra que na última década não houve um aumento visível na resposta da justiça global a este tipo crime, o que acabou deixando uma parte significativa da população vulnerável aos criminosos.

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