Economista do Banco Mundial traça cenários do impacto do ébola em África

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Responsável pelo continente defende que possível contágio em mais países pode custar um custar entre US$ 32 bilhões e US$ 33 bilhões em 2014 e 2015; concentração de casos nas três nações mais afetadas pode custar 10 vezes menos.

Surto de ébola na África Ocidental. Foto: Unicef/Suzanne Beukes

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O economista-chefe do Banco Mundial para África, Francisco Ferreira, falou do impacto económico do surto de ébola sobre a região ocidental do continente.  A Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou que a doença infetou 14412 pessoas e fez 5177  óbitos.

Em entrevista à Rádio ONU, de Pretória, o especialista do Banco Mundial disse que o primeiro efeito é a severidade em termos de custo humano.

Custos

Ferreira disse haver uma grande imprevisibilidade na trajetória do surto. Na eventulidade de uma transmissão para outros países como Nigéria, Gana, Senegal avançou a possibilidade de um custo muito alto.

“Nós chegamos a estimar num relatório que já produzimos um custo na ordem de US$ 32 e US$ 33 bilhões ao longo dos anos de 2014 e 2015, os dois anos juntos. Esse é um cenário no qual há um contágio da epidemia para os outros países. No caso de a epidemia ser controlada nos três países de origem Guiné, Libéria e Serra Leoa e não haver uma grande transmissão o custo pode ser talvez 10 vezes menor.

Conforme declarou, a estimativa para esse cenário mais positivo é de US$ 3 a US$ 4 bilhões que serão refletidos no custo de medidas de segurança, do impacto de retração no turismo e outros investimentos. Considerou, entretanto que “nesse caso é um custo muito mais manejável.”

Para Francisco Ferreira, neste momento a prioridade é o tratamento e a contenção da epidemia nos três países-chaves. O órgão assumiu o investimento em hospitais de campo e centros de tratamento como melhores formas de conter a epidemia.

Medo

“O custo de vidas, em termos de saúde, e da tragédia que isso representa para as mais de 5 mil pessoas que já morreram e suas famílias, principalmente nos três países mais afetados. Agora, além desse custo humano em termos de vida e de sofrimento, há também um custo económico muito grande que se deve principalmente ao efeito que o medo da epidemia tem sobre a atividade económica. Você tem pequenos agricultores que não podem ir ao campo trabalhar por medo de infeção, tem minas demitindo pessoas e tem uma retração da atividade económica geral desses países. Nós estimamos que está custando entre 2% a 4% do PIB desses países.”

Um dos exemplos apontados foi o da Libéria, onde é registado um efeito negativo de mais de 4% da economia  em 2014.

O especialista destacou que na África Ocidental e uma forma mais abrangente  o impacto depende muito da maneira como a epidemia se comportar. Ele apontou que as fronteiras não devem ser fechadas, mas controladas, de acordo com protocolos da Organização Mundial da Saúde.

Com os países vizinhos das nações mais afetadas o Banco Mundial discute  preparação para um eventual estágio de emergência, que implica a capacidade de isolamento,  de tratamento adequado e do seguimento dos contactos dos paciente para evitar alastramento da epidemia.

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