Comissão de Inquérito da ONU alerta sobre "brutalidade do Isil" na Síria

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Grupo chefiado por brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro disse que grupo usa terror para calar a população; relatório traz depoimentos de mais de 300 vítimas; meninas de 13 anos são obrigadas a se casar com integrantes do Isil.

Paulo Sérgio Pinheiro. Foto: ONU/Pontus Wallstenn

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Comissão de Inquérito sobre a Síria alertou sobre a "brutalidade e a doutrinação" usadas pelo grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, no país árabe.

A denúncia consta do relatório "Regra de Terrorismo: Vivendo sob o Isil na Síria", divulgado esta sexta-feira em Genebra. O documento inclui depoimentos de mais de 300 vítimas que conseguiram fugir ou estão fugindo de áreas controladas pelos integrantes do grupo.

Silenciar população

De Genebra, em entrevista à Rádio ONU, o presidente da comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou que "as pessoas que deixaram a região disseram que foram sujeitas a atos que as aterrorizaram e tinham como objetivo silenciar a população".

"Os grupos que sofrem mais com essa dominação são outras religiões, basicamente os cristãos, os yazigis e os curdos que são considerados infiéis e podem ser eliminados. Depois, as mulheres que têm afetado seus direitos de movimento e o outro grupo são as crianças, que são submetidas à doutrinação, toda essa leitura fundamentalista e extremista do islã."

O relatório diz que os extremistas usaram o terrorismo para subjulgar os sírios como também a extrema violência contra civis e prisioneiros.

A Comissão de Inquérito mostra um quadro arrasador nas áreas controladas no norte do país. Segundo os investigadores, execuções, amputações e chibatadas em público se tornaram práticas constantes.

Apedrejamento

O documento revela que o Estado Islâmico buscou excluir mulheres e meninas da vida pública. Mulheres são assassinadas, geralmente por apedrejamento, por contatos não autorizados com pessoas do sexo oposto.

O Isil dita as regras sobre como as mulheres devem se vestir, com quem elas podem se sociabilizar e onde elas podem trabalhar. O relatório diz que meninas de apenas 13 anos são obrigadas a casar com militantes do grupo.

A Comissão de Inquérito informou que o Isil usa a educação como forma de doutrinação, principalmente entre as crianças para formar uma nova geração de recrutas.

Reação

Paulo Sérgio Pinheiro falou ainda sobre a reação da comunidade internacional.

"O relatório acha que a comunidade internacional acordou muito tarde para o problema. Porque esses combatentes do Estado Islâmico não caíram do céu. Eles estão se implantando há mais de quatro anos, são combatentes estrangeiros ou combatentes extremistas, que tiveram facilitada sua entrada na Síria e também com algum apoio financeiro externo de Estados e indivíduos."

Quando o Estado Islâmico ocupa uma região com uma grande diversidade ética e religiosa, o relatório afirma que as minorias são forçadas a assimilar a nova regra ou a fugir da área.

Para a Comissão de Inquérito, os abusos, as violações e os crimes cometidos pelo Isil contra os sírios foram deliberados e calculados. Os comandantes do Estado Islâmico agiram de forma intencional para cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Entre as recomendações, o relatório pede que a comunidade internacional faça uso de mecanismos, como o Tribunal Penal Internacional, TPI, para levar à justiça os responsáveis pelos atos criminosos.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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