Chefe da OMS critica falta de vacina contra ebola

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Margaret Chan afirmou que doença surgiu há quase 40 anos e até agora não existe cura; Ela declarou que historicamente o vírus está confinado em países pobres da África e uma indústria motivada pelo lucro não investe em mercados que não podem pagar.

Margaret Chan em reunião da Comissão Regional para África. Foto: OMS África

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, criticou a falta de uma vacina contra o ebola numa reunião da Comissão Regional para África, realizada nesta segunda-feira em Cotonou, em Benim.

Chan disse que a doença surgiu há quase 40 anos e até agora não existe cura. Ela explicou que "é porque o vírus está confinado a países pobres da África".

Lucro

A chefe da OMS afirmou que "uma indústria motivada pelo lucro não investe em produtos para mercados que não podem pagar".

Segundo ela, os incentivos para pesquisa e desenvolvimento de remédios é praticamente inexistente.

Além disso, Chan declarou que é urgentemente necessário reforçar os sistemas de saúde.

A diretora da OMS afirmou que nenhum país é estável sem infraestruturas básicas de saúde pública e nenhuma sociedade está segura.

Chan declarou que a organização tem tentado alertar sobre esse assunto há muito tempo e agora todos podem ver o problema.

Solução

Ela disse que a solução para os problemas africanos deve ser exclusiva para a região. No passado, a chefe da OMS explicou que a África seguiu estratégias e prioridades definidas por iniciativas globais de saúde.

Chan afirmou que agora a África deve liderar as operações de combate ao ebola.

Para a diretora da agência da ONU, o continente apresenta duas faces distintas. Uma delas mostra uma África em crescimento, passando por transformações econômicas e sociais sem precedentes em qualquer outra região do mundo na história recente.

Ela explicou que essa é a parte da enorme quantidade de recursos naturais, aumento dos níveis de educação, saúde e energia, como também da paz. Para Chan, esses fatores vão levar à prosperidade e ao bem-estar da população.

Foto: OMS

Mas a chefe da OMS disse que isso só será alcançado se os governos distribuírem os benefícios igualmente.

Ela lembrou que a maior parte do crescimento do continente vem dos setores do petróleo e de minas, que favorecem a elite e fazem muito pouco para melhorar as condições de vida nas áreas rurais, onde estão os mais pobres.

Retrocesso

Ao citar a ameaça do surto de ebola na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa, Chan disse que a doença causou retrocessos econômicos e políticos na região.

Ela deu como exemplo de conquistas que estão risco a luta contra a malária. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2012, 21 mil pessoas, sendo 95% crianças, morreram nestes três países africanos.

O resultado mostra um avanço em relação ao ano 2000, quando o número de mortes chegou a 34 mil.

Chan afirmou que o surto do ebola que está atingindo o oeste da África é a mais grave emergência de saúde já vista nos tempos modernos.

Unicef

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, anunciou esta terça-feira um plano para aumentar o número de funcionários na linha de combate contra a doença.

Segundo o Unicef, eles vão passar de 300 para 600 em ação nos três países mais atingidos pelo surto e onde as crianças representam 20% dos casos registrados até agora.

A agência da ONU calcula que 5 milhões de crianças foram afetadas de alguma forma pela doença e 4 mil ficaram órfãs por causa da epidemia.

O último boletim da OMS, divulgado na sexta-feira, mostra que o número de infecções de ebola passou de 13,5 mil e o de mortes é de quase 5 mil.

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