Cerca de 70% das vítimas do tráfico humano são do sexo feminino, diz Unodc

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Raparigas contituem seis em cada 10 vítimas de tráfico humano em África e no Médio Oriente; África Subsaariana tem os maiores índices do tráfico de crianças para conflitos armados.

Foto: Unodc

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

Meninas e mulheres compõem 70% das vítimas do tráfico humano, segundo o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime. Duas de cada três vítimas menores do tipo de crime são do sexo feminino.

O Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas 2014, publicado esta segunda-feira, sublinha que os menores chegam a constituir mais de seis em cada 10 vítimas de tráfico humano em África e no Médio Oriente.

Aumento Constante 

Os últimos anos são marcados pelo aumento constante do trabalho forçado, com as mulheres a compor cerca de 35% das vítimas detetadas. O relatório aponta como destino as áreas da indústria, da construção, do trabalho doméstico e da produção de têxteis.

Os países da África Subsaariana destacam-se pelo tráfico que ocorre dentro das suas fronteiras. Os casos mais comuns envolvem tanto meninos como meninas, enquanto no norte de África e no Médio Oriente são maioritariamente adultos. A região subsaariana também acumula os maiores índices do tráfico de crianças para conflitos armados.

Mercado 

Em termos de variações por região, na Europa e na Ásia Central as vítimas são em grande parte destinadas à exploração sexual. No Leste Asiático e no Pacífico, o trabalho forçado impulsiona o mercado, enquanto nas Américas, foram detetados os dois tipos quase na mesma proporção.

O diretor executivo do Unodc afirmou que o relatório demonstra que não há lugar no mundo onde crianças, mulheres e homens estão a salvo do tráfico humano.

Escravidão

Yury Fedotov realça que os dados oficiais reportados pelas autoridades nacionais à agência representam apenas o que foi detetado, ao defender que está  muito claro que a escala de escravidão moderna é muito pior.

O estudo aponta para pelo menos 152 países de origem e 124 países de destino das vítimas do tráfico, e que há mais de 510 fluxos de tráfico no mundo. O fenómeno ocorre principalmente dentro das fronteiras nacionais ou na mesma região, com o tráfico transcontinental a afetar principalmente aos países ricos.

Impunidade

Cerca de 72% dos traficantes condenados são do sexo masculino e cidadãos do país em que operam. Mas o relatório destaca que a impunidade continua a ser um problema grave com 40% dos países a registar poucos ou nenhumas condenações.

O relatório aponta que na última década anos não houve aumento percetível na resposta da justiça global a este crime, o que deixou uma parte significativa da população vulnerável aos criminosos.

Brasil

O Brasil é mencionado no estudo por um caso de recrutamento através de um relacionamento amoroso falso entre o traficante e a vítima, como parte de um esquema de exploração de meninas no continente europeu.

Um cidadão da Europa foi declarado culpado do recrutamento de uma mulher e condenado a cinco anos de prisão no país. Após a vitima ter tido o seu passaporte para a Europa, ela veio a ser bloqueada e forçada a trabalhar como prostituta e fazendo diariamente dinheiro para o traficante.

O país também é apontado como destino de bolivianos tal como a Argentina, o Chile e o Paraguai.

Quanto ao destino das vítimas das Américas para Portugal e Espanha, o estudo aponta para uma mudança. As vítimas originárias da América do Sul, da América Central e das Caraíbas são agora detetadas na própria sub-região.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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