Ban pede moderação após protestos de rua sobre o caso Michael Brown

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Secretário-geral pediu calma aos dois lados e disse que as manifestações devem ser pacíficas; também na ONU, chefe de Direitos Humanos citou "desproporção" do número de jovens negros que morrem em encontros com policiais americanos

Protestos em Missouri. Foto: Loey Felipe

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu moderação após protestos de rua sobre o caso Michael Brown, em Ferguson, no Missouri, nos Estados Unidos.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujaric, disse que Ban pediu calma aos dois lados e que os protestos sejam pacíficos.

Já o alto comissário da ONU de Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, afirmou, nesta quarta-feira, que está profundamente preocupado com a "desproporção" no número de afro-americanos que morrem em encontros com a polícia.

Zeid demonstrou preocupação também com o que chamou de quantidade desproporcional de jovens negros nas prisões dos Estados Unidos e com o chamado "corredor da morte", onde os prisioneiros aguardam o dia da execução.

Falta de Confiança

Segundo ele, a decisão tomada, nesta terça-feira, por um Grande Júri no Estado do Missouri de absolver um policial branco de atirar contra um afro-americano chamou a atenção para a "discriminação institucionalizada" no país.

Para o alto comissário, "está claro, pelo menos em alguns setores da população, que existe uma profunda falta de confiança nos sistemas de justiça e aplicação da lei".

Zeid pediu às autoridades americanas que "realizem um exame profundo sobre como as questões raciais afetam a justiça, em níveis federal e estadual.

Segundo ele, o assassinato de Michael Brown pelo policial na cidade de Ferguson gerou protestos por todo o país inflamando o debate sobre o tratamento dos afro-americanos pela polícia.

Veredicto

Zeid afirmou que por não ter conhecimento das provas apresentadas ao Grande Júri, não pode comentar se o veredicto foi de acordo com a lei internacional.

Mas ele disse que os relatos contínuos de encontros fatais entre militares e a comunidade negra geraram preocupações entre instituições americanas e agências da ONU que monitoram a implementação dos tratados de direitos humanos internacionais.

O alto comissário mencionou ainda que, há duas semanas, os pais de Brown fizeram um pronunciamento na Comissão da ONU Contra a Tortura, que atualmente está revisando a aplicação das obrigações dos Estados Unidos em relação à Convenção sobre Tortura.

Ohio

A decisão do Grande Júri ocorreu três dias depois de outro adolescente afro-americano, Tamir Rice de 12 anos, ter sido morto por outro policial na cidade de Cleveland, Ohio. Segundo agências de notícias, o menino estava segurando uma arma de brinquedo.

Zeid disse que o caso de Rice não só reforça a disparidade racial no país sobre as mortes ocorridas nas mãos de policiais americanos, mas coloca em foco a questão das mortes relacionadas às armas nos EUA.

O alto comissário afirmou que "em outros países, onde armas de fogo não estão facilmente disponíveis, a polícia tende a ver os meninos brincando com armas de brinquedo exatamente pelo que elas são e não como um perigo a ser neutralizado".

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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