Iémen regista ano mais mortífero de migrantes no mar, diz Acnur

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Agência aponta mais de 215 mortos no Golfo de Aden; maioria das vítimas vem dos países do Corno de África; no Mediterrâneo, agência está preocupada com o fim da operação italiana Mare Nostrum.

Migrantes recém-chegados ao Iémen. Foto: Acnur

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Pelo menos 215 migrantes e candidatos a asilo morreram no Golfo de Aden quando tentavam chegar ao Iémen em 2014. O número supera o total dos últimos três anos combinados, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur.

A maioria das vítimas é proveniente do Corno de África. O início de outubro foi marcado pela morte de 64 migrantes e três tripulantes de um navio proveniente da Somália. Mais cinco óbitos foram registados este mês.

Maior Registo

O Acnur destacou setembro pelo aumento dramático no número de recém-chegados na costa iemenita com 12,7 mil entradas. Trata-se do maior número desde inicio dos registos em 2002.

A agência cita relatos de atos como maus tratos, abuso, estupro e tortura aliados a "medidas cada vez mais cruéis adotadas por contrabandistas", considerados os responsáveis pelo aumento das mortes no mar.

Os barcos são superlotados e os passageiros lançados ao mar pelos contrabandistas para evitar naufrágios ou que sejam detetados. A prática fez centenas de vítimas em situação irregular nos últimos anos, segundo funcionários de busca e resgate.

Somalis

As razões para o aumento do fluxo incluem a seca no centro-sul da Somália, os efeitos combinados do conflito, a insegurança e a falta de meios de subsistência nos pontos de origem.

Os somalis compõem 230 mil dos 246 mil refugiados abrigados no Iémen. Os restantes são etíopes, eritreus, iraquianos e sírios

Migrantes no Mediterrâneo 

Entretanto, O Acnur disse estar preocupado com o fim da operação italiana Mare Nostrum anunciada para este mês, sem outra iniciativa europeia de busca e resgate semelhante para substituí-la.

A agência refere não haver dúvidas de que deverá aumentar o risco para os que tentam procurar segurança na Europa, no que poderia levar a mais refugiados e migrantes a morrer no mar.

Em 2014,  3343 pessoas morreram em viagens semelhantes sendo que mais de 80% ocorreu somente no último trimestre.

*Apresentação: Denise Costa.

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