Catarina de Albuquerque fala do impacto de cortes de água em Detroit

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Relatora sobre o Direito à Água e Saneamento destaca consequências para a população de afro-americanos na cidade dos Estados Unidos; limitações incluem problemas para realizar higiene íntima de moradores.

Relatora fala sobre os cortes de água em Detroit. Foto: Banco Mundial

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A relatora da ONU sobre o Direito à Água e Saneamento criticou a "escala sem precedentes" dos cancelamentos de ligações de água que afetam principalmente os afro-americanos de Detroit.

Em nota, Catarina de Albuquerque chama a atenção para a situação dos mais pobres e vulneráreis que diz sofrerem de "forma desproporcional".

Escolhas 

Nesta segunda-feira, a especialista concluiu uma visita de três dias à cidade mais populosa do Estado de Michigan com 5,2 milhões habitantes. Na deslocação, foi acompanhada pela relatora sobre o Direito à Moradia Adequada, Leilani Farha.

Albuquerque disse ter ouvido depoimentos de moradores pobres afro-americanos forçados a fazer escolhas impossíveis como decidir se pagam a fatura de água ou o aluguer.

Custos

Conforme ressaltou, é contra os direitos humanos cortar água para pessoas que simplesmente não têm meios para pagar as suas contas. Ela aponta que milhares de moradores incorrem a custos cada vez mais inacessíveis devido ao aumento de 8,7% nas taxas de utilização.

A especialista cita valores adicionais devido a fugas causadas pelo envelhecimento da infraestrutura. Aponta ainda fatores como a diminuição do número de clientes, o aumento da taxa de desemprego e os casos repetidos de graves erros nas contas de água de pessoas "sem meios para provar, no que torna impossível reclamar das contas".

Higiene

Para ilustrar a indignidade sofrida por pessoas que foram alvo dos cortes de água, Catarina de Albuquerque cita o caso de uma mulher que explicou que as filhas adolescentes "tiveram que lavar-se com uma garrafa de água durante a menstruação". Para tal, optaram por "não fazer descargas do vaso sanitário para economizar" o líquido.

O apelo à cidade de Detroit é que restaure as ligações de água para os moradores que não podem pagar. A medida estende-se a vulneráveis como pessoas com deficiência, doentes crónicos e famílias com menores.

Despejo 

Entretanto, Leilani Farha apontou para inquilinos e donos de residências em situações de stress e de incerteza por recearem a impossibilidade de pagar as contas de água ou um eventual despejo e encerramento.

Aos Estados Unidos, as especialistas lembraram das suas obrigações de não-discriminação nas áreas de habitação, água e saneamento e do mais alto nível possível de saúde ao abrigo de várias leis internacionais.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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