Ataques contra agências humanitárias duplicam num ano na Somália

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Ataques contra agências humanitárias duplicaram num ano na Somália

Chefe de Assistência Humanitária na ONU aponta dificuldades de acesso e limitação dos financiamentos; Valerie Amos sublinha possibilidade de morte de milhares de crianças gravemente desnutridas.

A Seca é um dos fatiores por detrás da crise alimentar somali. Foto: FAO

Eleutério  Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Ataques e ameaças contra entidades de auxílio humanitário duplicaram em relação ao ano passado na Somália, alertou a subsecretária-geral para Assistência Humanitária.

Valerie Amos apresentou, esta quarta-feira, um informe ao Conselho de Segurança onde realça a preocupação com o impacto da insegurança, das dificuldades de acesso e da limitação do financiamento sobre a resposta humanitária.

Sobrevivência

Dos US$ 933 milhões pedidos para a assistência humanitária para 2014, o país recebeu apenas 34%. Mais de 3 milhões de pessoas precisam de apoio para sobreviver.

A seca, o contínuo conflito, o aumento de preços alimentares e o baixo financiamento das atividades humanitárias são os fatores que levaram à situação.

De acordo com as Nações Unidas, os desalojados compõem um  terço da população somali, ou  cerca de 1,1 milhão de pessoas. Cerca de 1 milhão vivem como refugiados em países vizinhos.

Continuidade

Para mitigar o agravamento da situação e salvar vidas, a responsável recomendou a continuidade da resposta e do financiamento para áreas como segurança alimentar, nutrição, saúde, água e saneamento.

Amos alertou para o potencial retorno a uma "emergência arrasadora" devido a um eventual choque grave, um facto para o qual pediu à comunidade internacional que fizesse o possível para evitar. Entre 2010 e 2012, pelo menos 250 milhões de pessoas morreram devido à fome na Somália.

Potencial de Morte

Em seis meses, foi registado um aumento de 857 mil para 1 milhão no número de pessoas que não puderam satisfazer as suas necessidades alimentares básicas.

A responsável falou ainda da possibilidade de morte das crianças gravemente desnutridas, caso não recebam urgentemente o tratamento médico e alimentos terapêuticos necessários.

Este ano, mais de 1,4 milhões de somalis receberam alimentos e apoio para a subsistência familiar.

Amos indicou, igualmente, que cerca de 230 mil crianças desnutridas menores de cinco anos tiveram auxílio nutricional. Meio milhão de somalis beneficiaram de serviços de saúde.

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