Unctad afirma que políticas econômicas são insuficientes para criar demanda

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Relatório da agência da ONU diz que recuperação econômica não passa pelas normas atuais adotadas pelos países; para organização existe uma alternativa para promover crescimento global mais inclusivo.

Economista e professor da Unicamp, Antonio Carlos Macedo e Silva. Foto: Heloísa Traiano/Unic Rio

Mariana Nissen, do Rio de Janeiro para a Rádio ONU em Nova York.*

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirmou que as políticas econômicas atuais são insuficientes e incapazes de criar demanda.

O relatório de Comércio e Desenvolvimento apresentado esta quarta-feira no Rio de Janeiro, concluiu ainda que o caminho da recuperação econômica não passa pelas normas atuais adotadas pelos países.

Alternativa

Mas o documento diz que existe uma alternativa viável para promover um crescimento global mais inclusivo.

Na sede do Centro de Informação da ONU no Rio de Janeiro, Unic Rio, o economista e professor da Unicamp, Antonio Carlos Macedo e Silva falou sobre essa alternativa.

"Um crescimento com maior equidade baseado no aumento de salários e redistribuição de renda é mais sustentável do que o atual que é fraco e frágil já que se baseia em políticas monetárias que tornam a inflar bolhas especulativas que mais cedo ou mais tarde voltarão a explodir."

Segundo o relatório, os estímulos para a exportação através da redução de salários e desvalorização interna são autodestrutivos e contraproducentes, principalmente se todos os países seguirem o mesmo rumo.

Visão

"A visão da UNCTAD é de que o caminho do desenvolvimento vem da sustentação da demanda e da transformação estrutural. A demanda tem que aumentar para que recursos produtivos sejam utilizados, recursos que estão desempregados ou subempregados. É necessário promover uma transformação estrutural, que as nossas estruturas produtivas e de emprego se tornem mais parecidas aquelas que caracterizam os países desenvolvidos".

O relatório cita como um fator-chave para garantir o crescimento a autonomia dos países para decidir sobre suas políticas econômicas. Neste caso, especialmente, as nações em desenvolvimento.

Evasão Fiscal

A Unctad também destaca o impacto nefasto que a evasão fiscal causa na economia global, principalmente nos países em desenvolvimento.

Calcula-se que entre 8% e 15% da riqueza financeira líquida estão em paraísos fiscais, a maior parte sem registro. Isto resulta em uma perda de recursos públicos entre 190 e 290 bilhões de dólares, aproximadamente entre 450 e 690 bilhões de reais .

Dessa parcela, os países em desenvolvimento perdem entre 66 e 84 bilhões de dólares, o que equivale a dois terços do valor anual da ajuda pública ao desenvolvimento.

*Apresentação: Edgard Júnior com reportagem do Unic Rio.

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