Guerras e instabilidade causam 24% de aumento em pedidos de asilo

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Subida refere-se à comparação com primeiro semestre do ano passado; foram registrados 330 mil solicitações; países mais procurados são Alemanha e Estados Unidos.

Foto: Acnur/A.D’Amato

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, afirmou que aumentou 24% o número de pedidos de asilo em países industrializados, somente no primeiro semestre deste ano, se comparado com 2013.

O relatório "Tendências dos Pedidos de Asilo" diz que a alta foi causada pelas guerras na Síria e no Iraque e também pelos conflitos e a instabilidade no Afeganistão e na Eritreia.

Aumento

O Acnur informou que de janeiro a junho foram feitos 330,7 mil pedidos de asilo a 44 países da Europa, da América do Norte e de partes da Ásia-Pacífico.

O porta-voz da agência em Genebra, Adrian Edwards, disse que "mais guerras significam mais pessoas em busca de asilo".

Edwards explicou que sírios, iraquianos, afegãos e eritreus são os que mais solicitaram abrigo em países alheios. Mais de dois terços desses pedidos foram feitos a apenas seis nações: Alemanha, Estados Unidos, França, Suécia, Turquia e Itália.

Segundo o porta voz, nenhum país está imune aos efeitos causados pela grande quantidade de conflitos em todo o mundo.

Tendência

O relatório alerta que se a tendência do primeiro semestre continuar, 2014 pode bater a marca dos 700 mil pedidos de asilo, o maior nível das últimas duas décadas desde o conflito na ex-Iuguslávia.

Na Síria, os números aumentaram de 18 mil em 2013 para 48 mil neste ano. Até agora, o Iraque registrou 21 mil pedidos de asilo, seguido do Afeganistão com 19 mil e Eritreia com 18 mil.

O Acnur explica que os pedidos de asilo nos países industrializados representam apenas um dos elementos no quadro global dos deslocamentos causados por causa de guerras e conflitos.

Até o final de 2013, 51,2 milhões de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas no mundo inteiro. A maioria permaneceu como deslocado interno ou como refugiado em países vizinhos.

África

O porta-voz do Acnur disse ainda que os Estados-membros vão debater na semana que vem como mobilizar mais atenção e apoio para várias situações complexas de deslocamentos na África.

O relatório mostrou que o continente africano continua liderando em número de refugiados e deslocados internos, com aproximadamente 15 milhões de pessoas nessas duas situações.

Segundo ele, ministros e representantes dos países que estão sofrendo os maiores deslocamentos vão falar sobre o sofrimento humano causado pelas guerras.

Austrália e Camboja

Nesta sexta-feira, o Acnur demonstrou ainda preocupação também com o acordo entre Austrália e Camboja sobre a transferência de refugiados de Nauru para o Camboja.

Segundo a agência da ONU, o acordo cria um precedente preocupante porque os refugiados que fogem de perseguições ou ameaças têm direito a um tratamento melhor do que serem enviados de um país para o outro.

A Austrália transfere todos os seus refugiados ou pessoas que buscam asilo no país para um centro de processamento e detenção localizado nas ilhas de Nauru, no sul do pacífico.

Dados do Acnur mostram que mais de 2,2 mil refugiados estão sendo mantidos atualmente nas ilhas de Nauru e Manus.

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