Especial: Brasil reduz pela metade número de pessoas que passam fome

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País aparece como um dos modelos em estudo lançado pela FAO; América Latina e Caribe tem bom desempenho no combate à insegurança alimentar, concentrando 6,1% dos famintos do mundo.

Relatório foi lançado em Brasília. Foto: FAO

Natália da Luz, do Rio de Janeiro para a Rádio ONU.*

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, calcula que mais de 805 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar no mundo. O Brasil, no entanto, caminha na contramão dessa estatística graças aos seus programas e estratégias de combate à fome.

Os dados estão no relatório "O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo", lançado na terça-feira. Em Brasília, durante a divulgação do documento, a representante da FAO para América Latina e Caribe, Eve Crowley, falou sobre o desempenho do país.

Prioridades

"O Brasil é um dos exemplos superiores. O caso do Brasil é especial porque é um país onde o compromisso político já dura um período de tempo. É um país que estabeleceu uma responsabilidade nacional e também a nivel descentralizado."

Segundo Crowley, a América Latina e o Caribe teve o melhor desempenho no combate à insegurança alimentar nos últimos anos. A região concentra atualmente 6,1% das pessoas que passam fome, percentual abaixo dos 15,3% registrados em 1992.

Renda

Peça central no estudo realizado pela FAO, o Brasil aparececomomodelo para promoção de experiências de transferência de renda, compras diretas para aquisição de alimentos e capacitação técnica de pequenos produtores. Com isso, o país conseguiu diminuir em 50% o número de pessoas que passam fome.

O diretor do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos, PMA,  destacou que uma maneira de definir a expressão "insegurança alimentar" é quando existe restrição do acesso aos alimentos. Isso porque as pessoas que estão nessa situação consomem alimentos de forma difusa, sem saber quando será a próxima refeição. 

Agricultura

Daniel Balaban falou à Rádio ONU sobre as contribuições do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar.

"Porque ele proporcionou aos pequenos agricultores familiares uma demanda para os seus produtos. Eles puderam ter a tranquilidade para poder produzir, fazer o que eles sabem, produzir os alimentos sabendo que o governo iria comprar aqueles alimentos para políticas sociais que o governo brasileiro desenvolveu ao longo dos anos, como os restaurantes populares, hospitais, presídios. 70% do que os brasileiros comuns consomem vem dos pequenos agricultores familiares."

O Brasil está entre os sete países estudados pela FAO, ao lado da Bolívia, Haiti, Indonésia, Malauí e outros. O coordenador residente das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek,

Coletiva de imprensa com Eve Crowley, Jorge Chediek e Daniel Balaban. Foto: Unic Rio

comentou alguns dados do relatório.

Riscos

"Este relatório mostra que temos feito muito, mas também que temos muito para fazer. Mesmo hoje com todo este progresso, a disponibilidade de alimentos e de recursos financeiros, mais de 800 milhões de pessoas têm problema de segurança alimentar. Então também outro elemento importante do relatório é que mostra que com vontade política e comprometimento da sociedade civil e do setor privado, é possível eliminar a fome."

Para Chediek, a insegurança alimentar é um tema complexo, que não se resolve apenas com o aumento da produção ou da distribuição de alimentos, mas com uma multiplicidade de ações e programas.

Indicadores

"O Brasil tem que continuar fazendo o que está fazendo e o que tentou fazer nos últimos anos, que é chegar naqueles que estão fora do sistema. Tem obtido extraordinários resultados. Se nós medimos pelo indicador desenvolvido pelo Pnud, que é o Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, que inclui elementos de saúde, educação e renda, no Brasil melhorou mais de 54% nos últimos 20 anos."

Atualmente, 3,4 milhões de brasileiros passam por insegurança alimentar, o que representa 1,7% da população. A porcentagem de 5% é o limite estatístico determinado para saber se um país superou o problema da fome.

Constituição

O relatório também destaca passos institucionais e a implementação de marcos legais que possibilitaram os avanços no combate à fome no Brasil.

Entre eles, o direito humano à alimentação adequada, o lançamento da Estratégia Fome Zero, e a implementação, de forma articulada, de políticas de proteção social, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar. 

Segundo o estudo, os gastos federais em 2013 com programas e ações de segurança alimentar e nutricional no Brasil totalizaram R$ 78 bilhões.

Comparação 

Eve Crowley e Anne Kepler. Foto: Unic Rio

O resultado desses investimentos trouxe números positivos para erradicar a extrema pobreza e a fome no país, compromisso assumido através do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio e na Cúpula Mundial sobre Alimentação. Apenas com o Bolsa Família, cerca de 22 milhões de brasileiros foram retirados da extrema pobreza desde 2011.

Já a consultora da FAO, Anne Kepler, que apresentou o relatório sobre o caso brasileiro, acredita que o avanço do país está também no seu discurso sobre a fome, atrelado à desigualdade social.

"Nos Estados Unidos, também há insegurança alimentar, também há fome, mas o tratamento é muito diferente do que vemos hoje no Brasil. A fome não está relacionada ao fato de a pessoa não se interessar por trabalho,comomuitos dizem. Aqui, estamos provando que esse déficit na alimentação está ligado a uma diferença de classes, a uma desigualdade social que vem diminuindo."

Para a elaboração deste documento, a FAO contou com a colaboração do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, além de pesquisadores e acadêmicos.

*Apresentação: Leda Letra, com reportagem do Unic Rio.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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