Ébola fez mais de 3,7 mil crianças órfãs na África Ocidental, diz Unicef

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Agência aponta para muitos menores indesejados ou abandonados; maioria dos afetados pela doença fica sem tratamento adequado na Libéria, na Serra Leoa e na Guiné Conacri.

Órfãos de pais que morreram de ébola em Kenema, na Serra Leoa. Foto: OMS/Stéphane Saporito

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Cerca de 3,7 mil crianças já perderam pelo menos um dos pais desde o início do surto de ébola na África Ocidental, anunciou o Fundo da ONU para a Infância, Unicef.

Em nota, emitida esta terça-feira, a agência informa que várias delas são rejeitadas pelos familiares. A Libéria, a Serra Leoa e a Guiné Conacri são os países mais afetados pela doença, que já fez mais de 3 mil mortos.

Atenção Especial

O diretor do Unicef para a África Ocidental, Manuel Fontaine, disse que apesar de precisarem urgentemente de atenção especial e apoio, muitos menores sentem-se indesejados ou abandonados.

O responsável considera que o grande problema será o estigma e o risco do colapso da coesão social nas comunidades, além da dificuldade para encontrar oportunidades para essas crianças.

Habitualmente, os órfãos são levados por um membro da família, mas declarou que em algumas comunidades "o medo em torno ébola é mais forte do que os laços familiares".

Falta de Tratamento

O Unicef diz que a grande maioria dos menores afetados pelo ébola fica sem tratamento adequado. Estimativas da Organização Mundial de Saúde indicam que pelo menos 15% mortos pela doença são crianças com idade inferior a 15 anos.

A agência indica que as informações sobre as crianças órfãs disparam nas últimas semanas à medida que aumenta o número de mortos devido à doença. Estima-se que o número duplique até meados de outubro.

A doença também é responsável pela "carga emocional pesada em crianças", especialmente quando elas ou os seus pais têm de ser isolados para tratamento.

Cuidados

No total a agência prevê envolver mais de 63 mil pessoas, entre técnicos de saúde mental, trabalhadores sociais e sobreviventes, para dar apoio aos menores hospitalizados. O auxílio também inclui apoio psicossocial às famílias e comunidades afetadas.

Entretanto, o Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, anunciou que US$ 254 milhões foram recebidos para dar resposta ao surto na África Ocidental. O valor corresponde a um quarto do financiamento necessário, orçado em US$ 988 milhões.

Serviços Essenciais

Essa estimativa tem como objetivo interromper o surto, tratar dos infetados e garantir serviços essenciais entre o período de setembro deste ano e fevereiro de 2015.

Pretende-se também preservar a estabilidade e prevenir futuros surtos nos países atualmente afetados.

O Fundo Central de Resposta de Emergência, Cerf, está entre os cinco principais da lista de doadores que inclui entidades como Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento, Estados Unidos, indivíduos e organizações privadas.

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