Discursos na Assembleia Geral contam com 100 intérpretes

Profissionais trabalham nas seis línguas oficiais da organização: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo; concentração e alto padrão de qualidade são marcas dos linguistas na ONU.

Intérprete na cabine da ONU em 1965. Foto ONU.

Ao assumirem a tribuna das Nações Unidas, a partir desta quarta-feira, mais de 150 chefes de Estado e Governo contarão com um reforço para a transmissão de suas mensagens: a seção de intérpretes da ONU.

São mais de 100 profissionais que trabalham nas seis línguas oficiais da casa: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo. Além disso, vários líderes internacionais que querem discursar em sua língua materna, que não seja idioma oficial, também podem organizar a interpretação com a ajuda de profissionais especializados. 

Texto

O chefe dos intérpretes, Hossam Fahr, explica que qualquer país-membro da ONU pode escolher falar em uma língua, mesmo que não seja oficial, desde que traga um profissional para interpretar em um dos idiomas oficiais. Uma outra possibilidade é fornecer à cabine de interpretação um texto com a tradução num dos seis idiomas da casa.

Um dos exemplos é o da língua portuguesa, que nos anos anteriores contou com o apoio de intérpretes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp.

Ao ser entrevistado pelo Centro de Notícias da ONU, um dos intérpretes, Anthony Mango, lembra que o trabalho era considerado mágico na década de 60, quando ele servia à organização. Hoje, aposentado, Mango revela ainda que a profissão era também considerada de muito prestígio pelo fato também de “ser a voz” de líderes internacionais.

Hollywood

O dia-a-dia de um intérprete da ONU acabou despertanto a curiosidade de Hollywood, que em 2005, produziu um filme com Nicole Kidman no papel de uma intérprete de origem africana. O filme foi o primeiro a ser filmado dentro da sede das Nações Unidas em Nova York.

Para os profissionais na ONU, um dos desafios é acompanhar a rapidez do orador. Alguns tendem a falar mais rapidamente, o que força o intérprete a acompanhar o ritmo para que todos possam compreender o que foi dito.

Uma outra forma de discursar na sua língua nativa, mesmo que não seja um idioma oficial, é providenciar o que em inglês se chama de “pointer”, uma pessoa que mostra no texto em inglês ao intérprete, onde o orador se encontra em sua língua nativa. Fahr lembra que a receita não deu muito certo quando, há vários anos, quando a intérprete do ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não estava no início do discurso na cabine para localizar as partes do texto do ex-líder.

Ritmo

Para tentar salvar a situação, a intérprete começou a ler o texto em inglês no mesmo ritmo do presidente para ajudar os demais chefes de Estado e Governo presentes na plateia a entender o que estava sendo dito.  A profissional em farsi, língua oficial do Irã, só conseguiu chegar ao local no meio do discurso para concluir a tarefa.

Ao relembrar seus tempos como intérprete de árabe e inglês, Fahr citou a visita do ex-líder sul-africano, Nelson Mandela, logo após o fim do apartheid, quando ele se tornou presidente da África do Sul.

Ao recordar o momento, ele diz que sentiu-se orgulhoso de ser a voz em árabe de Nelson Mandela para o mundo após a libertação do Prêmio Nobel da Paz, que passou 27 anos na prisão lutando pelo fim da discriminação racial.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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