Comunidade internacional foi muito lenta para reagir sobre Síria, diz relator

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Paulo Sérgio Pinheiro disse que o crescimento de extremistas já havia sido alertado pela Comissão de Inquérito sobre o país, presidida por ele; nesta terça, o grupo apresentou ao Conselho de Direitos Humanos depoimentos de 12 vítimas da violência no país.

Paulo Sérgio Pinheiro em reunião no Conselho de Direitos Humanos nesta terça-feira. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A comunidade internacional demonstrou lentidão para reagir sobre a crise na Síria apesar de todos os alertas do aumento da violência no país. A opinião é do presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro.

Nesta terça-feira, Pinheiro apresentou ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, 12 depoimentos de vítimas tanto de rebeldes como de tropas sírias, que vivem num fogo cruzado desde março de 2011.

Tribunal Penal Internacional

A Comissão também pediu ao Conselho de Segurança para levar a situação da violência na Síria ao Tribunal Penal Internacional, mas a proposta foi indeferida.

Paulo Sérgio Pinheiro falou sobre os assassinatos brutais do grupo terrorista Isil, autoproclamado Estado Islâmico, EI. Mas segundo ele, a maioria das mortes na Síria continua ocorrendo pelas tropas do governo do presidente Bashar al-Assad.

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Genebra, Pinheiro disse que o crescimento dos extremistas foi denunciado várias vezes.

Guerra

"Nós não fazemos campeonato de quem pratica mais crimes de guerra. O que nós achamos é que desde 2012, a Comissão vem indicando o perigo de financiar grupos extremistas, jihadistas na Síria. Nós acompanhamos passo a passo o crescimento desse contingente, chamamos a atenção para a presença dos combatentes estrangeiros. E a comunidade internacional foi muito lenta em termos de agir nesta direção. Quanto mais a guerra continua com total impunidade, mas extremismo vai haver."

Foto: Acnur

Ao abrir o discurso no Conselho de Direitos Humanos, o presidente da Comissão de Inquérito disse "não ter mais palavras para condenar a gravidade dos crimes cometidos na Síria."

Ao falar do Isil, Pinheiro afirmou que eles estão realizando massacres incluindo a morte de pessoas em câmaras de gás.

Chibatadas

Mulheres capturadas pelos terroristas estão sendo escravizadas sexualmente, apedrejadas até a morte ao serem acusadas de adultério, ou levando chibatadas só porque saíram de casa sem seus maridos. Já muitas crianças estão sendo sequestradas e forçadas a se casarem.

A Comissão citou ainda o caso de sírios que são presos pelo governo e alguns mortos ainda durante o interrogatório policial. Milhares de homens, mulheres e crianças são eletrocutados ou pendurados por horas pelos pulsos contra a parede.

Paulo Sérgio Pinheiro terminou dizendo que o conflito sírio não será resolvido no campo de batalha, e que a falta de ação do Conselho de Segurança só está levando a violência a se espalhar pela região, incluindo Iraque e Líbano.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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