Angelina Jolie e ONU alertam para crise de refugiados no Mediterrâneo

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Mais de 2,5 mil morreram afogadas ou desapareceram neste ano tentando fazer a travessia entre Oriente Médio ou África e a Europa; António Guterres e Angelina Jolie visitaram uma base naval de salvamento em Malta.

António Guterres (dir.) e Angelina Jolie conversam com pessoas que participaram do resgate em Malta. Foto: Acnur/P. Muller

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

A atriz e enviada especial do Alto Comissariado para Refugiados, Acnur, Angelina Jolie, alertou para a crise que envolve a morte de migrantes no mar Mediterrâneo.

Segundo a estrela de Hollywood, há uma ligação direta entre os conflitos na Síria e em outros locais com o aumento de óbitos na região.

Dados do Acnur mostram que mais de 2,5 mil pessoas morreram afogadas ou desapareceram, desde o início do ano, durante travessia de barco pelo Mediterrâneo para chegar à Europa. A agência da ONU calcula que 2,2 mil casos ocorreram desde o início de junho.

Corpos

Neste fim de semana foram registrados novos naufrágios nos litorais do Egito e da Líbia. Agências de notícias dizem que a marinha líbia encontrou "muitos corpos flutuando no mar".

Pelo menos 36 pessoas foram resgatadas após o naufrágio de uma embarcação que transportava 250 pessoas perto de Trípoli.

Neste domingo, Jolie visitou a sede de salvamento naval em Malta acompanhada do alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres. Segundo a imprensa, houve um naufrágio de uma embarcação que tinha até 500 pessoas a bordo, perto da costa maltesa, na semana passada.

Tragédias

Na capital do país, Valletta, Jolie e Guterres visitaram sobreviventes de uma das tragédias. Eles foram salvos pelas autoridades maltesas num navio comercial antes de serem levados à ilha.

Para Jolie é preciso entender o que leva as pessoas a arriscarem a vida de seus filhos em barcos superlotados e inseguros.

A atriz explicou que isso é feito pelo grande desejo de se encontrar refúgio.

Para ela, a crise faz parte de um problema maior, que é o aumento crescente do número de deslocados por causa de conflitos em todo o mundo, que já atingiu 51 milhões.

Proteção

Para a atriz, caso não sejam combatidas as causas desses conflitos, o número de refugiados que morrem ou são incapazes de encontrar proteção vai continuar subindo.

O chefe do Acnur pediu que a resposta europeia seja um esforço verdadeiramente coletivo com formas mais seguras de proteção. Para Guterres, é necessário manter uma forte capacidade de resgate de pessoas no mar, caso contrário mais vidas serão perdidas à porta do continente.

Recém-chegados

O Acnur calcula que 130 mil pessoas tenham chegado à Europa por mar este ano, mais do que o dobro dos 60 mil registrados em 2013. A Itália recebeu mais de 118 mil recém-chegados, na sua maioria resgatados no mar pela operação da marinha italiana denominada Mare Nostrum.

Guterres pediu alternativas legais de segurança destinada aos que fogem de conflitos e perseguições para que não sejam obrigados a tentar atravessar para a Europa por via marítima.
Entre elas estão reassentamento, admissão com base em necessidades humanitárias, sistemas de patrocínio privado, reunificação familiar e programas como visto de estudante ou de emprego.

*Apresentação: Edgard Júnior

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