Brasil diz na ONU que ações militares não levam à paz

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Dilma Rousseff foi a primeira chefe de Estado a discursar na Assembleia Geral e disse que medidas militares não contribuem para o fim de conflitos; presidente também destacou avanços sociais do país.

Dilma Rousseff em discursa na 69ª Assembleia Geral. Foto: ONU/Mark Garten

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A presidente do Brasil foi a primeira chefe de Estado a discursar na 69ª sessão da Assembleia Geral da ONU, na manhã desta quarta-feira em Nova York. Aos líderes mundiais, Dilma Rousseff condenou o uso da força como medida para eliminar conflitos.

"No massacre sistemático do povo sírio, na trágica desestruturação nacional do Iraque, na grave insegurança na Líbia, nos conflitos no Sahel e nos embates na Ucrânia. A cada intervenção militar não caminhamos para a paz, mas sim assistimos ao acirramento desses conflitos. Não podemos aceitar que essas manifestações de barbárie recrudesçam, ferindo nossos valores éticos, morais e civilizatórios."

Reforma

A presidente também defendeu a criação de dois Estados, Palestina e Israel, vivendo ao lado e em segurança. Na Assembleia Geral, Dilma Rousseff pediu, mais uma vez, a reforma do Conselho de Segurança.

"O Conselho de Segurança tem encontrado dificuldade em promover a solução pacífica desses conflitos. Para vencer esses impasses, será necessária uma verdadeira reforma do Conselho de Segurança, processo que se arrasta há muito tempo. Os 70 anos das Nações Unidas, em 2015, devem ser ocasião propícia para o avanço que a situação requer."

Saúde e Educação

Segundo a presidente Dilma, o Brasil não está indiferente ao alastramento do ebola na África e apoia a Missão de Emergência criada pelo secretário-geral da ONU.

Dilma Rousseff começou seu discurso afirmando que as eleições "são uma celebração da democracia conquistada há 30 anos" pelo país. Na fala, de 23 minutos, a presidente brasileira destacou progressos alcançados nos últimos anos no campo social.

"Há poucos dias, a FAO informou que o Brasil saiu do mapa da fome. Essa mudança foi resultado de uma política econômica que criou 21 milhões de empregos, valorizou o salário básico. 36 milhões de brasileiros deixaram a miséria desde 2003. Na área da saúde, logramos atingir a meta de redução da mortalidade infantil. Universalizamos o acesso ao ensino fundamental. Protegemos o Brasil frente à volatilidade externa."

Clima

Mas a presidente brasileira afirmou aos líderes mundiais ser "indispensável e urgente retomar o dinamismo da economia global". Os debates de alto nível da Assembleia Geral começaram um dia após a Cimeira do Clima, encontro onde os líderes mundiais firmaram vários compromissos para evitar o aquecimento global.

Ao falar na Assembleia, a presidente Dilma afirmou que o Brasil tem feito sua parte e deixou de lançar na atmosfera, desde 2010, 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.

Fim do Preconceito

O combate aos diversos tipos de discriminação foi outro tema destacado por Dilma Rousseff.

"O meu governo combate, incansavelmente, a violência contra a mulher. Da mesma maneira, o racismo, mais que um crime inafiançável, é uma mancha que não hesitamos em combater, punir e erradicar. O mesmo empenho que temos em combater a violência contra as mulheres e os negros, os afrobrasileiros, temos também contra a homofobia. Outro valor fundamental é o respeito à coisa pública e o combate sem tréguas à corrupção."

A presidente do Brasil encerrou seu discurso dizendo que as Nações Unidas e países-membros têm pela frente "desafios de grande magnitude". Dilma Rousseff espera que 2015 seja um ano de mudança, para a "criação de uma ordem fundamental que promova a paz, o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza".

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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