Ban declara que "horizonte da esperança é sombrio"

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Na abertura da 69ª Assembleia Geral, chefe da ONU afirmou que diplomacia está na defensiva minada pelos que acreditam na violência; secretário-geral afirmou que tem sido um ano ruim para os princípios das Nações Unidas.

Abertura da 69ª Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Mark Garten

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou esta quarta-feira na abertura da 69ª Assembleia Geral que o "horizonte da esperança é sombrio".

Ban disse que este tem sido um ano terrível para os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. Indo desde o uso de bombas de barris até decapitações, da fome deliberada de civis a ataques a hospitais, abrigos da ONU e comboios de ajuda.

Ajuda

Segundo ele, os direitos humanos e o Estado de Direito estão sob ataque.

Para Ban, "desde o fim da Segunda Guerra Mundial nunca houve tantos refugiados, deslocados internos e pessoas buscando asilo, assim como, até agora, as Nações Unidas nunca receberam tantos pedidos de ajuda".

O secretário-geral declarou que "a diplomacia está na defensiva, minada pelos que acreditam na violência. A diversidade está sob ataque de extremistas que insistem que seu caminho é o único e o desarmamento é visto como um sonho distante, sabotado por aqueles que lucram com uma guerra perpétua".

Ban disse que depois da tragédia em Gaza, palestinos e israelenses parecem mais polarizados do que nunca. Ele afirmou que se a comunidade internacional não salvar a solução da criação de dois Estados independentes, restará apenas uma situação de hostilidade permanente na região.

Iraque e Síria

O chefe da ONU declarou que no Iraque e na Síria, todos estão vendo novos níveis de barbaridades a cada dia com profundos efeitos por toda a região.

Ban disse que líderes muçulmanos por todo o mundo já disseram que não há nada de islâmico sobre as organizações terroristas que estão agindo na região.

Segundo ele, os grupos extremistas representam uma clara ameaça à paz e à segurança internacionais que exige uma resposta multifacetada.

O secretário-geral declarou que é necessária uma ação decisiva para acabar com as atrocidades, e uma discussão franca sobre suas causas.

Ele disse que as fragilidades dos Estados nunca foram tão aparentes, alguns estão cercados de corrupção e outros implementaram políticas de exclusão que levaram as vítimas ao ódio e à violência.

Segundo Ban, os Estados devem assumir a responsabilidade de governar para todas as pessoas.

O chefe da ONU afirmou que na Ucrânia a situação continua volátil.

África

Já no Sudão do Sul, a luta por poder político matou milhares de pessoas e expôs milhões a ameaça da fome. A República Centro-Africana está quebrada e traumatizada.

Ban declarou que o Mali e a região do Sahel continuam sofrendo com insurgência, terrorismo, tráfico de drogas e crime organizado.

Na Somália, ele explicou que uma coalisão de países africanos combate o grupo terrorista Al-Shabab.

Na Nigéria, os assassinatos cometidos pelo grupo Boko Haram ganharam força, com profundos impactos sobre mulheres e meninas.

Conselho de Segurança

Ban disse que a união do Conselho de Segurança é crucial. Ele explicou que quando o conselho age como um, os resultados surgem. E deu como exemplos a eliminação do programa de armas químicas da Síria, o acordo sobre operações de paz na República Centro-Africana e o apoio ao processo de paz na região dos Grande Lagos, na África.

Ao mesmo tempo, o chefe da ONU disse que a desunião sobre a Síria resultou num grave sofrimento humano e perda de credibilidade do próprio Conselho.

O secretário-geral afirmou que a comunidade internacional precisa fazer muito mais para antecipar os problemas e alcançar um consenso político antecipadamente.

Ebola

Ban Ki-moon discursa na abertura da 69a sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto: Reprodução

Ban alertou que o surto de ebola na África Ocidental representa uma crise sem precedentes, e por isso criou a Missão de Resposta de Emergência.

O chefe da ONU disse que os especialistas já chegaram em Gana, onde foi montada a base do grupo, e que a comunidade internacional se uniu para ajudar os trabalhadores de saúde locais.

Segundo ele, é necessário combater também o vírus do medo e da desinformação. Ban disse que proibições a viagens ou transporte não vão impedir a propagação do ebola, mas vão impedir a entrada de médicos e remédios.

O secretário-geral afirmou que é preciso isolar as pessoas afetadas pela doença, não as nações atingidas pelo vírus.

Ban declarou que com liderança e solidariedade será possível ajudar Guiné, Libéria e Serra Leoa a por um fim ao surto e voltar ao caminho de um futuro melhor.

Clima

Ban citou também que uma ação climática é necessária, da mesma forma que o combate à pobreza.

Ele disse que a Cimeira do Clima foi um marco, com vários setores da sociedade caminhando juntos para reduzir as emissões que causam o efeito estufa, criar resiliência e financiar a tranformação de economias e sociedades.

Agenda Pós-2015

Logo depois do discurso de Ban Ki-moon, o presidente da Assembleia Geral, Sam Kutesa, falou sobre a agenda de desenvolvimento pós-2015.

Kutesa afirmou que a comunidade internacional deve se esforçar para garantir que a agenda seja transformadora.

Segundo ele, o documento deve ter a erradicação da fome e da pobreza e a promoção de um crescimento econômico sustentável e inclusivo como seus grandes objetivos.

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