Três tragédias com barcos nos últimos cinco dias no Mediterrâneo, diz Acnur

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Agência da ONU acredita que mais de 300 pessoas tenham morrido; este ano mais de 1800 pessoas perderam a vida em viagens irregulares à Europa; número é maior que em anos anteriores.

Foto: OIM/Samantha Donkin

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, pelo menos três barcos viraram ou afundaram em viagens irregulares para a Europa nos últimos dias. Acredita-se que mais de 300 pessoas tenham morrido.

Ao todo, a agência calcula que 1889 pessoas morreram este ano enquanto faziam tais viagens. E 1600 delas desde o início de junho. Este número seria maior do que as estimativas do Acnur para anos anteriores.

Prioridade

De Lisboa, a representante da Organização Internacional para Migrações, OIM, em Portugal, Marta Bronzin, falou à Rádio ONU.

"Este é mais um incidente de uma série de tragédias que ocorream desde o início do ano e nos anos passados. É claro que numa situação deste gênero a prioridade absoluta é aquela de salvar as vidas destas pessoas que aceitam o risco desta viagem que é extremamente perigosa numa situação que é uma situação de emergência humanitária."

Ela disse ainda que é preciso dar alternativas a estas pessoas e que muitas têm direito à proteção internacional já que fogem de situações de guerra e instabilidade nos países de origem ou nos de trânsito, como a Líbia.

Estimativas

O volume estimado de chegadas pelo Mediterrâneo também subiu. No ano passado, foram cerca de 60 mil pessoas. Em 2014, até o momento, seriam mais de 124 mil pessoas. A maioria chegando à Itália.

De acordo com o Acnur, o primeiro e maior destes incidentes da semana passada aconteceu na última sexta-feira. Um barco que estaria levando pelo menos 270 pessoas virou a leste de Trípoli. Desde então, a guarda costeira da Líbia já resgatou mais de 100 corpos, incluindo cinco crianças com menos de cinco anos. Sobreviveram 19 pessoas e teme-se que o restante dos passageiros tenha se afogado.

Os outros incidentes foram no último final de semana.

Líbia

Segundo o Acnur, o principal local de partida para a Europa é a Líbia. A agência menciona o agravamento da situação de segurança no país e afirma que seu escritório em Trípoli recebe ligações diárias de refugiados, requerentes de asilo e outras pessoas vulneráveis.

Muitos dos que arriscam a vida no mar em busca de segurança na Europa são refugiados fugindo de conflitos, violência e perseguições.

A agência afirmou que esta situação "dramática" nas fronteiras marítimas européias exige ação urgente e combinada da Europa incluindo fortalecimento das operações de busca e resgate no mar Mediterrâneo.

O Acnur elogiou a operação Mare Nostrum da Marinha e guarda-costeira italianas e disse que é fundamental que os sobreviventes destas tragédias recebam apoio psicológico assim que desembarcam.

Origens

Segundo a OIM, a Eritréia e a Síria são os dois maiores países de origem de migrantes irregulares chegando à Itália pelo mar. De acordo com autoridades italianas, nos primeiros sete meses de 2014, mais de 25 mil eritreus e 16 mil sírios chegaram em barcos. Outras nacionalidades incluem cidadãos do Mali, da Nigéria, da Gâmbia e da Somália.

A agência diz que a atual instabilidade na Líbia também estimula este tipo de viagem e que gangues organizadas estão tirando vantagem do crescente número de migrantes em busca de saída.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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