Pedidos de refúgio no Brasil cresceram 800% nos últimos anos

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Dados são do Conare; representante do Acnur no país diz que dados mostram que a tendência é de aumento; maioria dos refugiados vive em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Copa dos refugiados no Brasil. Foto: Acnur Brasil

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York*.

O número de pessoas que chegam ao Brasil solicitando refúgio tem crescido muito nos últimos anos, e a tendência é que suba ainda mais.

A afirmação é do representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, Andrés Ramirez, em entrevista por telefone, de Brasília, à Rádio ONU.

Conare

De acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados, Conare, este aumento nas solicitações foi de cerca de 800% nos últimos quatro anos.

No dia 30 de julho, o órgão, ligado à Secretaria Nacional de Justiça do Brasil, aprovou 680 novos pedidos de refúgio no país. De acordo com o Conare, este número é maior do que total em todo o ano de 2013.

O representante do Acnur no Brasil, Andrés Ramirez, chamou a decisão de "histórica".

"O número de reconhecidos nesta sessão plenária do dia 30 de julho foi maior do que todos os anos 2010, 2011 e 2012 juntos. Isso mostra não apenas um grande trabalho, muito profissional, como uma boa vontade de avançar e resolver muitos dos casos."

Crescimento

Segundo Ramirez, o Brasil "não está isolado das crises humanitárias a nível global". Ele citou ainda como outras razões para este crescimento, o aumento da presença internacional do país e os mega-eventos como Copa do Mundo e Olímpiadas de 2016.

Ele disse ainda que a legislação brasileira de refúgio tem sido, em geral, positiva.

Síria

Andrés Ramirez destacou que a grande maioria das pessoas refugiadas no Brasil é da Síria.

"Neste momento, já temos 1140 sírios reconhecidos, dos quais 537 deles foram reconhecidos naquela plenária. Além disso, temos que levar em conta que temos 590 solicitações de sírios no Conare que ainda os casos deles não foram resolvidos. (…) Até hoje, 100% dos sírios que têm chegado ao país, tem sido reconhecidos."

Segundo o representante do Acnur, a Colômbia tem sido o país com maior número de refugiados no Brasil, mas a tendência é que isso mude.

"Daqui a pouco a maioria deles vão ser os sírios.(…) A tendência é que mais sírios estão chegando e os colombianos ainda estão chegando, mas os colombianos estão já solicitando a residência permanente no marco do Mercosul."

Vizinhança

De acordo com o representante da agência da ONU, se comparado aos números globais, a quantidade de refugiados no Brasil ainda é baixa. Uma das razões mencionadas por ele é que o país está afastado dos principais conflitos mundiais.

"Mais de 80% dos refugiados do mundo ficam nos países em desenvolvimento, sobretudo nos países da vizinhança dos conflitos. (…) A gente tem que levar em conta que também os refugiados, por um lado, querem ficar na vizinhança, porque pra eles voltar a seu país é mais fácil, e temos que entender que todo mundo gostaria de voltar a seu país. A principal solução duradoura do tema do refúgio é o tema da repatriação voluntária."

Copa

Entre 2 e 3 de agosto deste ano, o Acnur apoiou a realização da Copa dos Refugiados, que contou com a participação de aproximadamente 200 estrangeiros que vivem no Brasil.

Para o representante da agência no país, o evento foi importante, entre outras coisas, porque ajudou a difundir o tema dos refugiados.

O evento aconteceu em São Paulo, onde mora a maioria dos refugiados que está no país, e foi organizado pelos próprios estrangeiros.

Entre os participantes estão seleções de países como Síria, Colômbia, Mali, Afeganistão, Serra Leoa, Paquistão e República Democrática do Congo. A Nigéria foi a campeã da Copa.

*Apresentação: Edgard Júnior.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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