Para especialistas da ONU, yazidis correm risco de sofrer "massacre"

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Relatores de direitos humanos pedem ação urgente em prol de comunidades minoritárias no Iraque expostas a ataques do grupo Estado Islâmico; número de deslocados internos passa de 1 milhão.

Pai e filha atravessam a fronteira de Iraque com a Síria. Foto: Acnur/Ahmad Al-Rubaye

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Um grupo de especialistas da ONU em direitos humanos expressou esta terça-feira grande preocupação com a minoria religiosa yazidi e outros grupos minoritários do Iraque.

Segundo os relatores, essas comunidades estão sob "perigo iminente de sofrer um massacre", por estarem expostas aos ataques do grupo Estado Islâmico, EI.

Genocídio

A declaração conjunta é assinada pelos especialistas em direitos das minorias, deslocados internos, execuções sumárias, liberdade religiosa e violência contra mulheres. Eles pedem ação imediata para proteger os direitos dos yazidis e de todas as minorias afetadas.

A relatora especial para o direito das minorias destacou a necessidade de "medidas urgentes para se evitar atrocidade em massa e potencial genocídio dentro de dias ou de horas".

Segundo Rita Izsák, "a responsabilidade em proteger populações sob risco de atrocidades é tanto do governo iraquiano como da comunidade internacional".

Tragédia

O relator para os direitos dos deslocados internos, Chaloka Beyani, afirmou que o mundo "testemunha uma tragédia de grandes proporções, com milhares de pessoas sob risco de morrer pela violência ou de fome e sede". Cerca de 40 crianças yazidis morreram de fome na semana passada.

As Nações Unidas receberam relatos de que militantes do Estado Islâmico estariam perseguindo minorias sitiadas em áreas controladas, como em Monte Sinjar, e estariam dando um ultimato a essas pessoas, com a opção de se "converter ou morrer".

Os relatores também receberam informações sobre mulheres sendo executadas ou sequestradas; adolescentes sendo violentados sexualmente e mulheres obrigadas a lutar com o EI ou vendidas ao grupo como "escravas".

Desalojados

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, anunciou esta terça-feira que o Iraque já tem mais de 1,2 milhão de deslocados internos, sendo 700 mil somente na região do Curdistão.

Nos últimos dias, milhares de pessoas saíram do norte do país, escapando das montanhas de Sinjar. Cerca de 35 mil chegaram à província de Dohuk desidratados, exaustos e muitos sofreram insolação, já que as temperaturas chegam a 45 graus Celsius.

Ao todo, 400 mil iraquianos fugiram para Dohuk, incluindo yazidis, cristãos, armênios e turcomenistãos. Na cidade de Zakho, perto da fronteira com a Turquia, são 100 mil deslocados internos, abrigados em escolas e prédios do governo.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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