ONU alerta que guerra na Síria ameaça paz e segurança mundiais

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Presidente da Comissão de Inquérito divulgou esta quarta-feira relatório sobre situação no país no primeiro semestre de 2014; Paulo Sérgio Pinheiro cita ações extremistas do grupo Estado Islâmico e do governo sírio.

Mais de 6 milhões de refugiados. Foto: Acnur/N. Colt

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

A Comissão de Inquérito sobre a Síria apresentou, esta quarta-feira, um informe que descreve atos do governo e de grupos armados que considera crimes de guerra e contra a humanidade.

O informe do período entre janeiro a julho deste ano, indica o uso de bombas barril pelas forças armadas sírias em áreas habitadas por civis em pelo menos oito ocasiões.

Estado Islâmico

Falando à Rádio ONU, em Genebra, o presidente do painel, Paulo Sérgio Pinheiro falou sobre as ações do Estado Islâmico na Síria, as quais considerou exemplos das consequências do extremismo de grupos armados.

"Especialmente do grupo extremista do Estado Islâmico que opera no Iraque e na Síria com enormes recursos financeiros, com imenso potencial bélico e com uma coreografia do terror em termos de decapitações, crucificação, amputações de membros, negação total dos direitos de mulheres e de meninas que são proibidas de de irem à escola. Evidentemente, o conflito na Síria atingiu uma etapa extremamente preocupante. Por isso, mais do que nunca, é importante que a comunidade internacional ache uma maneira de se unir e se associar para uma negociação política que possa terminar o conflito."

Pinheiro disse ainda que a comunidade internacional fracassou totalmente em um dos deveres mais fundamentais que é o da proteção dos civis.

O chefe da Comissão declarou também que o fracasso em pôr um fim à crise na Síria deu força ao crescimento do grupo Estado Islâmico, cuja brutalidade ameaça tomar conta do Oriente Médio.

Ele explicou que no último ano, ficou claro que o Estado Islâmico, também chamado de Isis, é uma força em expansão.

Campos de Treinamento

Segundo Pinheiro, o grupo procura destruir e remodelar a humanidade à sua imagem causando estragos sobre civis, minorias e as liberdades fundamentais de mulheres e crianças.

O presidente da Comissão de Inquérito declarou ainda que "um dos fatos mais perturbadores do relatório é o dos campos de treinamento, onde meninos, a partir dos 14 anos, são recrutados e treinados para lutar nas frentes de batalha".

Pinheiro citou o "progresso alcançado na entrega de ajuda humanitária na Síria mas afirmou que essa assistência não pode compensar as ameaças constantes de morte, prisão e

Paulo Sérgio Pinheiro. Foto: ONU/Violaine Martin

ferimentos na região".

Damasco

O documento também mostra a ocorrência de crimes de guerra como ataques contra civis, assassinatos sistemáticos, tortura, estupros e desaparecimento forçado atribuídos a grupos armados ligados ao governo de Damasco.

O exército sírio é acusado do uso de gás cloro em bombardeios que causaram a um "grande número de mortes de civis e a expansão do terror."

Catástrofe Humanitária

O relatório menciona que a "pior catástrofe humanitária do mundo" fez cerca de 6,5 milhões de deslocados. Cerca de 2,5 milhões de sírios estão refugiados e 10,8 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária urgente no país.

Segundo a ONU, o número de mortos passou de 191 mil. Para a Comissão de Inquérito, a guerra na Síria ameaça a paz e a segurança em todo o mundo.

O documento realça que o Estado Islâmico tem consolidado o poder em vastas áreas das províncias do leste e do norte da síria. O grupo atrai mais combatentes estrangeiros experientes e ideologicamente motivados, além de juntar um número crescente de sírios nas suas fileiras.

Por outro lado, mulheres e crianças são a maioria dos reféns de ambas as partes do conflito, em ações que violam as leis internacionais. No total, 241 mil sírios estão sitiados ou vivem em áreas de difícil acesso.

*Apresentação: Edgard Júnior

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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