OIT quer atingir meta de zero acidentes de trabalho

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Assunto está sendo debatido em congresso da organização na Alemanha; especialista brasileiro no encontro diz que é preciso mudar a cultura sobre a questão.

Segurança no trabalho. Foto: OIT

Edgard Júnior, da Radio ONU em Nova York.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, debate em congresso na Alemanha como reduzir o número de acidentes e doenças no local de trabalho que levam à morte 2,3 milhões de pessoas no mundo, todos os anos.

Segundo dados da agência da ONU, 860 mil pessoas sofrem algum tipo de ferimento diariamente no serviço. Os custos com esses acidentes e doenças atingem US$ 2,8 trilhões, o equivalente a quase R$ 7 trilhões.

Zero Acidentes

A meta da OIT é chegar a zero acidentes de trabalho. De Frankfurt, onde participa do encontro, em entrevista à Rádio ONU, o professor René Mendes disse que esse é o objetivo e que todos concordam que são necessárias metas ambiciosas.

"É uma questão de mudar a cultura, porque ainda existe uma cultura que admite que adoecer ou se acidentar faz parte do trabalho. Uma expressão comum nos nossos países é os ossos do ofício. Isto é uma questão cultural, enraizada, de que as pessoas ao trabalharem estão expostas a riscos e algumas delas saem para trabalhar e não voltam mais para casa. Esta é uma questão fundamentalmente de mudança de cultura."

Mendes é diretor de Relações Internacionais da Associação Nacional de Medicina do Trabalho do Brasil.

O professor brasileiro falou ainda sobre as responsabilidades no caso dos acidentes.

"A responsabilidade primária é de quem oferece o trabalho, de quem cria as condições de trabalho. Obviamente, a visão da OIT é uma visão tripartite, onde existe então uma responsabilidade dos governos, uma responsabilidade dos empregadores e uma responsabilidade dos próprios trabalhadores."

Punição

Mendes descartou a utilização de multas contra governos, empresas e funcionários para combater o problema.

"Não é a nossa visão. A visão prevalente é uma questão de mudança de cultura depois passa pelo caminho da educação para o trabalho seguro e passa para a questão do direito ao trabalho seguro e saudável. E há enfoques de que a punição venha a ser a última das medidas se houver deliberadamente evidências de negligência."

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse na abertura do encontro que os acidentes e as doenças no trabalho matam mais do que as guerras. Ele afirmou que esses números são inaceitáveis e que muito ainda precisa ser feito.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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