Comitê da ONU quer inquérito sobre violência étnica no Iraque

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Grupo sobre Eliminação da Discriminação Racial pede criação de comissão para investigar violência e quem apoia financeiramente o grupo Estado Islâmico; número de cristãos no país diminuiu 80% em 10 anos.

Criança iraquiana em campo de refugiados. Foto: Unicef

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A violência étnica e religiosa no Iraque foi debatida pelo Comitê sobre Eliminação da Discriminação Racial, durante sessão em Genebra na quarta-feira.

O grupo pede ao Conselho de Direitos Humanos que faça uma sessão urgente para estabelecer uma Comissão de Inquérito sobre o Iraque. A ideia é investigar a causa da rápida onda de violência no país e quem está financiando e dando armas para o grupo Estado Islâmico, EI.

Crimes de Guerra

O vice-ministro iraquiano dos Direitos Humanos falou durante a sessão do Comitê e condenou os crimes que estão sendo cometidos pelo EI no país.

Abdulkareem Al-Janabi citou assassinatos, estupros e destruição de propriedades, "cometidos por grupos terroristas em nome do Islã". Mas o vice-ministo ressaltou que o Islã é inocente e que os ataques tem de ser levados a sério pela comunidade internacional.

Especialistas do Comitê sobre Eliminação da Discriminação Racial destacaram que as violações cometidas no Iraque podem ser consideradas crimes de guerra e contra a humanidade.

Cristãos

O grupo lamentou que o número de cristãos no país diminuiu quase 80% nos últimos 10 anos, passando de 1,4 milhão em 2003 para menos de 300 mil atualmente.

A delegação do governo do Iraque confirmou a estatística e explicou que os cristãos saíram do país pela insegurança e ataques violentos contra as comunidades. Só nas últimas semanas, 670 mil cristãos deixaram suas casas e foram para Sinjar, Erbil e para a região autônoma do Curdistão.

O vice-ministro Al-Janabi afirmou que os atuais "ataques terroristas no Iraque ameaçam o país e a humanidade em geral, amedrontando as minorias".

Mortos

O representante do Comitê da ONU falou sobre "ataques bárbaros", incluindo o massacre de 80 homens yazidis em uma vilarejo. Marc Bossuyt disse que a estimativa é de mais de 5,5 mil mortos nos últimos seis meses e 1,5 milhão de deslocados internos.

Segundo Bossuyt, há relatos de crimes de ódio contra aqueles que não reconhecem o grupo Estado Islâmico. O integrante do Comitê falou em pessoas queimadas vivas e disse que essas atrocidades "não podem ser explicadas simplesmente pela cultura, etnia ou religião" das vítimas.

Negros

O Comitê sobre Eliminação da Discriminação Racial também chamou atenção para os 2 milhões de iraquianos negros que sofrem preconceito no país, sendo que 80% são analfabetos e o mesmo número está desempregado.

A delegação do governo explicou também que o grupo Estado Islâmico, que era conhecido como Isil ou Isis, foi criado na Síria e tem recursos superiores aos do Exército do Iraque.

Histórico

O EI é liderado pelo iraquiano Abu Bakr al-Baghdadi, que foi detido pelas forças americanas em 2003 e ficou preso durante quatro anos. Em 2011, ele foi declarado "terrorista internacional".

Os representantes afirmaram que ele não recebe nenhum apoio do governo e que seu paradeiro é desconhecido. O líder da milícia teria armamentos pesados e modernas redes de comunicação.

Entre junho e agosto, o Iraque manteve um registro das vítimas das ações do Estado Islâmico na região. Além de assassinatos, estupros e sequestros, mulheres são escravizadas e pessoas doentes estão sendo impedidas de receber tratamento, segundo o governo.

A delegação disse que "o genocídio está ocorrendo no Iraque hoje, pelas mãos de terroristas" e pediu mais apoio da comunidade internacional.

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