Total de pessoas sobrevivendo com US$1,25 caiu pela metade

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Relatório sobre Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, lançado esta segunda-feira; conjunto de oito metas precisa ser cumprido pelos países até o final de 2015; objetivo 1, sobre pobreza extrema, já foi alcançado.

Foto: ONU/Kibae Park

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Uma em cada cinco pessoas de países em desenvolvimento sobrevive com menos de US$ 1,25 por dia, segundo o relatório sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs.

Há 14 anos, os países que fazem parte das Nações Unidas assinaram a Declaração do Milênio, estabelecendo oito metas concretas para melhorar a vida da população até o final de 2015.

Pobreza e Fome

O documento foi lançado esta segunda-feira na ONU e faz um balanço sobre progressos das oito metas. O primeiro objetivo é ligado à erradicação da pobreza e da fome, buscando diminuir pela metade a proporção de pessoas sobrevivendo com menos de US$1,25 por dia.

Isso foi alcançado em 2010, cinco anos antes do prazo final do cumprimento dos ODMs. Em 1990, quando as Metas do Milênio foram criadas, o mundo tinha 1,9 bilhão de pessoas vivendo na pobreza extrema. Em 2010, o número absoluto era de 1,2 bilhão.

Algumas regiões como América Latina e Sudeste Asiático já alcançaram a meta, mas o relatório mostra que o objetivo não será alcançado na África Subsaariana, onde 48% da população ainda vive na pobreza extrema. Os cinco países que têm a maior parte dos pobres do mundo são Índia, China, Nigéria, Bangladesh e República Democrática do Congo.

Educação

Diminuir pela metade o número de famintos no mundo pode não ser alcançado até o final de 2015. A fome crônica ainda atinge 842 milhões de pessoas, e uma em cada sete crianças menores de cinco anos está abaixo do peso.

O segundo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio é garantir que todos os meninos e meninas do mundo completem o ciclo do ensino primário. O relatório mostra que os progressos foram mais fracos nos últimos anos, sendo que 58 milhões de crianças estão fora da escola.

Os melhores resultados são encontrados no norte da África, leste e sudeste asiático e na América Latina. O contrário é visto nas regiões em conflito, em especial na África Subsaariana, com 33 milhões de crianças que estão sem frequentar a escola.

Mulheres

A taxa de alfabetização entre jovens e adultos aumentou no mundo, para 89% e 84%, respectivamente. Mas 781 milhões de adultos e 126 milhões de jovens não têm conhecimentos básicos de leitura nem de escrita, sendo que 60% são mulheres.

A terceira meta é promover a igualdade de gênero na educação, no mercado de trabalho e na vida política. Em 2012, todas as regiões em desenvolvimento alcançaram ou estavam próximas de alcançar a igualdade de gênero na educação primária. A América Latina e o Caribe é a única região onde mais meninas do que meninos estão matriculadas na escola.

A proporção de mulheres ocupando cadeiras em parlamentos subiu no mundo todo e Ruanda manteve a liderança na eleição de mulheres, que representam 64% dos postos parlamentares. O maior avanço foi no norte da África, que em 2000, tinha apenas 3% de mulheres nesses cargos, mas atualmente, 24% das cadeiras dos parlamentos são ocupadas por mulheres.

Mortalidade

O quarto objetivo é reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade infantil. Pela média global, a taxa já foi reduzida pela metade: 12,6 milhões de menores de cinco anos morriam em 1990 e atualmente são 6,6 milhões de mortes, causadas principalmente por pneumonia, diarreia e malária.

Apesar dos progressos, o norte da África e a Oceania não devem alcançar a meta até o final do próximo ano.

A meta número cinco é reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna e segundo o relatório, "é preciso se fazer muito mais" para alcançar este objetivo. Somente no ano passado, 300 mil mulheres morreram após problemas na gravidez ou durante o nascimento do bebê.

A África Subsaariana tem a maior taxa de mortalidade materna, com 510 mortes a cada 100 mil nascimentos, seguida do sudeste asiático, da Oceania e do Caribe.

Aids

O sexto objetivo do Milênio é combater a Aids, tuberculose e malária. O documento revela que ainda há muitos novos casos de infecção pelo HIV, apesar da diminuição em 44% na última década.

Ainda assim, 2,3 milhões de pessoas de todas as idades foram infectadas pelo vírus em 2012 e 1,6 milhões morreram de causas relacionadas à Aids. No mundo todo, 35,3 milhões de pessoas têm HIV. Mas apenas 30% tem acesso a terapia antirretroviral.

Sobre a malária, houve 42% de queda nas mortes pela doença. Dos 207 milhões de casos de malária, 80% foram confirmados em crianças. O relatório recomenda a maior distribuição de redes mosquiteiras e aplicação de spray nas residências, para matar o mosquito.

Há queda também no número de novos casos e de mortes por tuberculose e esta meta deve ser alcançada até o fim do próximo ano. Em 2012, mais de 11 milhões de pessoas tinham tuberculose, doença que matou 1,3 milhão.

Desenvolvimento

Água contaminada em uma favela urbana de Dhaka, Bangladesh. Foto: ONU/Kibae Park

O objetivo número sete é garantir a sustentabilidade ambiental, mas as emissões globais de gás carbônico subiram 50% desde 1990. Por outro lado, mais de 2,3 bilhões de pessoas ganharam acesso à água potável e 2 bilhões ao saneamento básico. Mas 1 bilhão de pessoas no mundo são obrigadas a fazer suas necessidades ao ar livre. Um terço da população urbana dos países em desenvolvimento vive em favelas.

A oitava e última Meta de Desenvolvimento do Milênio busca promover parcerias para o desenvolvimento. O documento afirma que a assistência no setor atingiu o maior nível, batendo a marca de US$ 134,8 bilhões.

80% das importações dos países em desenvolvimento chegam às nações desenvolvidas livre de impostos. O número de usuários de internet na África quase dobrou nos últimos quatro anos. No mundo, são quase 3 bilhões de pessoas usando a internet, e as assinaturas de celulares chegam a 7 bilhões.

Leia também: Ninguém deve ser esquecido nas novas metas de desenvolvimento, diz Ban

 

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