Relatório revela violações e possíveis crimes de guerra no Iraque

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Documento divulgado pela ONU afirma que Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, impõe muito sofrimento aos civis; mais de 1,5 mil pessoas assassinadas no país no mês passado.

Crianças iraquianas. Foto: Unami

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

Um relatório divulgado esta sexta-feira pelas Nações Unidas afirma que o movimento Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, e aliados, estão impondo "dificuldades incalculáveis e sofrimento" aos civis.

O documento foi compilado pela Missão da ONU de Assistência ao Iraque, Unami, e o Escritório de Direitos Humanos. Foram ouvidas várias fontes, incluindo civis e testemunhas da violência, entre 5 de junho e 5 de julho.

Assassinatos

No mês passado, foram 1531 civis mortos no país e outros 1763 ficaram feridos. O total de deslocados internos já é de 1,2 milhão. Segundo o relatório, o Isil e aliados são responsáveis por "assassinatos em massa, destruição e danos a propriedades" com presença de civis, como mercados, restaurantes, cafés e escolas.

O levantamento afirma que  o "Isil e grupos armados teriam realizado os ataques de maneira sistemática, sem levar em conta o impacto nos civis e com a intenção de matar e prejudicar o maior número de pessoas".

Prisioneiros

Outras violações cometidas incluem execuções sumárias e assassinatos extrajudiciais de prisioneiros e detidos, que podem ser considerados "crimes de guerra".

O chefe da Unami lembra que pela lei internacional, tanto o governo iraquiano quanto grupos armados devem tomar as medidas necessárias para minimizar o impacto da violência nos civis.

Crianças

Nickolay Mladenov pede garantia da proteção das pessoas, permitindo à população que saia de áreas afetadas pela violência com segurança e dignidade, além de acesso à assistência humanitária.

O relatório realça que as crianças são muito afetadas pelo conflito, sofrendo ataques indiscriminados em algumas áreas. O documento inclui relatos de confiança sobre o recrutamento e uso de crianças-soldado.

Investigação

A chefe dos Direitos Humanos da ONU disse que, diariamente, o seu escritório recebe uma série de afirmações de abusos cometidos contra crianças, mulheres e homens no Iraque. Navi Pillay afirmou que as pessoas são privados de meios como segurança, artigos de subsistência, abrigo, educação, saúde e outros serviços básicos.

Pillay refere que ataques deliberados, indiscriminados, mortes ou uso de civis como escudo humano podem ser considerados crimes de guerra ou contra a humanidade.

A alta comissária diz que o governo do Iraque é obrigado a investigar essas sérias violações e levar os responsáveis à justiça.

*Apresentação: Leda Letra.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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