OIM quer deteção de contrabandistas após a morte de 30 no Mediterrâneo

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Agência da ONU anunciou que 50 corpos de migrantes foram recuperados este ano pela marinha italiana; nota menciona desaparecimento de vários outros nas águas sem deixar vestígios.

Embarcações transportam centenas de migrantes. Foto: OIM

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, pediu recursos adicionais aos países europeus para as operações de resgate no mar Mediterrâneo.

O apelo segue-se à descoberta pela marinha italiana de cerca de 30 corpos num barco de pesca, no domingo. A agência indica que a embarcação que transportava até 600 migrantes estava entre a costa da Líbia e da Sicília.

Violência Extrema

A Rádio ONU falou sobre o drama dos migrantes com a representante da OIM em Portugal, Marta Bronzin, que falou do seu perfil, a partir de Lisboa.

"São pessoas que fogem de contextos principalmente de guerra e de regimes totalitários. A maioria deles é da Síria, da Eritreia, da Somália. Isso quer dizem que estamos a falar de uma migração forçada, que não dá alternativa. É uma migração de desespero. São pessoas que saem dos países empurrados por violência extrema, não veem outra alternativa e preferem embarcar", realçou.

Organizações

O diretor da agência, William Swing, disse que deve haver uma possibilidade para "detetar e levar a tribunal as organizações criminosas", que como mencionou "enviam migrantes para a morte".

O responsável considerou inaceitável que os migrantes morram a fugir do infortúnio na esperança de uma vida melhor.

Como sublinhou, na tragédia observa-se que os criminosos maltratam os migrantes ao amontoá-los em porões de navios inseguros. A OIM realça que mulheres grávidas em dificuldades estavam entre os resgatados.

Gangues

Swing afirmou que ainda não se sabe por que os migrantes morreram, mas pede que o foco seja dado a gangues de contrabando que de “forma rotineira mandam migrantes para a morte no tipo de embarcações”.

O barco de pesca sobrecarregado foi encontrado pelo navio Grecale, em resposta a um pedido de socorro de migrantes que ligaram para uma rádio de eritreus na Suécia. Esta repassou a informação para a marinha italiana.

No navio de pesca, a marinha descobriu os corpos no porão, que aparentemente foram asfixiados com o fumo do motor.

Mare Nostrum

O Grecale patrulhava o Mediterrâneo entre o Norte de África e a Sicília no âmbito da operação Mare Nostrum. A tentativa é salvar a vida de migrantes que fazem a passagem do norte da África em embarcações inseguras.

De acordo com a OIM, as operações de busca e salvamento da Itália salvaram dezenas de milhares de migrantes nos últimos 10 meses.

A agência aponta ainda para um aumento de migrantes contrabandeados  nas embarcações inseguras e sem combustível suficiente para a travessia.

Sem Coletes

Raramente são encontrados coletes salva-vidas a bordo pelo facto de os traficantes "preferirem amontoar mais pessoas a bordo para aumentar a rentabilidade de cada passagem".

Com o Mare Nostrum estima-se que o número de mortes no Mediterrâneo tenha diminuído este ano. Em 2013, cerca de 700 migrantes perderam a vida no mar.

Mais de 60 mil migrantes e requerentes de asilo chegaram este ano à Itália por mar, em comparação a 42 mil de 2013, revela a OIM.

Este ano, a Itália recuperou 50 corpos, incluindo os 30 do fim de semana, mas acredita-se que em todo o Mediterrâneo muitos tenham desaparecido sem deixar vestígios.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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