Guerra na Síria coloca mulheres no comando de mais de 25% dos lares

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Relatório das Nações Unidas indica que mais de 145 mil mulheres refugiadas nos países da região tiveram que assumir as famílias após o conflito; Angelina Jolie diz que apelo das sírias não deve ser ignorado.

Mulheres sírias lutam pela sobrevivência. Foto: Acnur/A.McConnell

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A guerra na Síria está levando as mulheres refugiadas do país a terem que assumir a chefia da família após o desaparecimento temporário ou definitivo dos maridos.

A constatação é parte do relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, divulgado nesta terça-feira, em Amã, capital da Jordânia.

Sobrevivência 

Segundo o Acnur, mais de 145 mil sírias que fugiram da guerra para o Egito, o Líbano, Iraque e Jordânia foram obrigadas a assumir o comando da casa. Muitas lutam com dificuldade para criar os filhos em abrigos temporários ou até mesmo tendas. Além disso, várias mulheres estão sendo vítimas de violência.

O relatório "Mulher Sozinha: A Luta pela Sobreviência das Refugiadas Sírias" é baseado no testemunho de 135 mulheres, entrevistadas durante três meses no início deste ano.

Elas foram forçadas a assumir o controle do lar após os maridos terem sido assassinados, capturados ou separados da família. O quadro generalizado é de isolamento e ansiedade para as mulheres deixadas sozinhas.

Aliança de Casamento

O Acnur informou que muitas sofrem com a falta de recursos e de dinheiro para pagar o aluguel, comprar comida e itens básicos para a casa. Há casos, em que as mulheres têm de vender a aliança de casamento para conseguir dinheiro.

De todas as entrevistadas, apenas um quinto trabalha ou recebe ajuda da família. Um terço das sírias entrevistadas disse que não têm o suficiente para comer.

O Acnur pediu aos países que abrigam as sírias, além de agências e doadores que façam mais para ajudar. O chefe da agência da ONU, António Guterres, lembrou que centenas ou

Refugiados sírios procuram abrigo em países vizinhos. Foto: Acnur/J. Kohler

milhares de refugiadas da guerra civil na Síria estão enfrentando ameaças à segurança e sendo marginalizadas porque perderam os maridos para um guerra hodienda.

Para Guterres, a situação é vergonha, uma vez que essas mulheres estão sendo penalizadas após perderem basicamente tudo.

Assédio

A enviada especial do Acnur, Angelina Jolie, disse que as mulheres são uma espécie de esteio da sociedade. Segundo a atriz, as vozes das refugiadas e o apelo delas por ajuda não devem ser ignorados.

Cerca de 60% das entrevistadas expressaram sentimentos de insegurança. Uma em cada três está com medo de deixar a casa. A síria Nuha fugiu para o Egito com o marido, mas ele acabou sendo morto a tiros enquanto trabalhava.

Outras mulheres são vítimas de assédio de motoristas de táxi, de ônibus, senhorios e até mesmo homens em mercados.

Maior Crise

Uma outra refugiada síria contou que ser mulher sozinha no Egito é estar à mercê de abusos por parte dos homens. Ela disse que foi desrespeitada na cidade de Alexandria por estar desacompanhada de um homem.

A guera civil na Síria já gerou 2,9 milhões de refugiados e outros milhões tornaram-se deslocados internos. O Acnur afirma que esta é a maior crise de deslocamento do mundo.

Desde o início deste ano, a média de entrada de refugiados sírios em países vizinhos é de 100 mil pessoas por mês.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 14 DE DEZEMBRO DE 2017
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