Ramos Horta apela à solidariedade entre dirigentes da Guiné-Bissau

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Representante do secretário-geral diz que presidente deve saber os limites do seu poder; governo deve ser investido nos próximos dias, após a posse do presidente José Mário Vaz nesta segunda-feira; ex-presidente timorense deixa o cargo no fim deste mês.

Ramos Horta Foto: ONU/Martine Perret

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau apelou à solidariedade entre o chefe de Estado e o chefe de governo indigitado da Guiné-Bissau.

José Ramos Horta falou em exclusivo à Rádio ONU numa conversa para marcar a última semana do seu mandato no país africano.

Normalidade

Nesta segunda-feira tomou posse o presidente guineense, José Mário Vaz na que é vista como etapa decisiva do regresso do país à normalidade após o golpe de Estado de abril de 2012.

"Os dois, o presidente e o primeiro-ministro têm que ser mutuamente solidários e apoiar-se: um não pode ser adversário do outro. No passado, eram a fonte principal da instabilidade no país, a rivalidade entre as duas entidades. O presidente tem que saber os limites do seu poder no sistema semi-presidencial. Foi o que eu fiz como em Timor, como presidente depois da crise de 2006. Após o governo ter sido eleito em 2007 – sarar as feridas e criar as condições para que este pudesse governar com tranquilidade", declarou.

Militares

O presidente foi empossado cinco dias após a União Africana ter levantado a suspensão do país, declarada na sequência do golpe militar. Espera-se que o governo e o primeiro-ministro sejam empossados nos próximos dias.

Para a nova fase Ramos Horta disse será crucial tratar as forças militares de forma diferente.

"O presidente José Mário Vaz poderia criar condições para que o governo do primeiro-ministro Domingos Simões Pereira possa governar com tranquilidade e sem sobressaltos. O presidente não pode ser oposição ao governo. O mesmo acontece com a Assembleia Nacional. Nesta fase de transição, nos próximos cinco anos, eles têm que procurar sempre o consenso e o diálogo permanente com a chefia militar. A reforma das forças armadas e a sua modernização tem que ser resultado de diálogo com a chefia militar trata-los (aos militares) como filhos dignos da terra e não responsabiliza-los pelos males todos do país porque os políticos também tinham uma mão grande nos problemas do país, não eram somente os militares", ressaltou.

Nas Nações Unidas, Ramos Horta disse ter recebido garantias de doadores para o financiamento da Guiné-Bissau. A União Europeia teria assegurado apoios para o próximo ano.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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