ONU diz que investimento em parteiras pode salvar milhões de vidas

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Relatório sobre a situação das profissionais em 73 países inclui várias nações de língua portuguesa; menos da metade dos países pesquisados implementaram medidas para manter as parteiras em áreas remotas; apenas 22% têm número suficiente.

Foto: Unfpa Turquia/Nezih Tavlas

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório das Nações Unidas sugere que a capacitação profissional de parteiras pode ajudar a salvar a vida de milhões de mães e bebês em várias partes da África, da Ásia e da América Latina.

O documento "Uma Via Universal, o Direito da Mulher à Saúde", divulgado nesta terça-feira em Praga, na República Tcheca, pesquisou a situação da saúde materno-infantil em 73 países, incluindo cinco nações de língua portuguesa.

Força de Trabalho

O estudo foi realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, em parceria com a Confederação Internacional de Parteiras e a Organização Mundial da Saúde, OMS.

De acordo com o levantamento, existe um grande abismo entre as necessidades de saúde das mulheres e a força de trabalho na área.

Para o Unfpa, os governos têm que investir mais em recursos, campanhas comunitárias e promoção de igualde de gênero. Apenas 45% dos países pesquisados adotaram medidas para manter as parteiras em áreas remotas.

Brasil

Nesta entrevista à Rádio ONU, a especialista do Unfpa, Etienne França, explicou que o papel da parteira hoje em dia é de acompanhamento durante toda a gravidez, e não só na hora do parto.

"O trabalho da parteira é muito maior do que isso. Inclui toda a fase reprodutiva da menina, de certa forma ela chega até os meninos, os rapazes na comunidade porque ela está ali e pode dar informação a eles. Além de imunização, prevenção a infecções sexualmente transmissíveis, HIV/Aids. E quando chega o momento de dar à luz, ela pode perceber sinais de risco."

O relatório do Unfpa aborda ainda a situação das parteiras em Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Em todos esses países, de língua portuguesa, vivem grande populações rurais. Etienne França falou sobre o caso brasileiro.

Melhorias

"Cerca de 40% da população ainda vivem nessas áreas rurais que são de difícil acesso. Embora o governo brasileiro tenha tomado muitas medidas para fazer com que haja maior contingente médico disponível em todo território nacional, as parterias ainda são uma alternativa para alcançar a população em áreas remotas."

O relatório revela que mais de nove em cada 10 bebês que nascem mortos estão nos países pesquisados. O documento mostra que a região concentra apenas 42% de todos os médicos e enfermeiras do mundo.

Moçambique

Moçambique foi um dos países ao qual o Unfpa apelou para o aumento dessas profissionais visando a promoção de melhorias na saúde materna.

"77% da população ainda vive em áreas rurais com uma diversidade cultural muito grande. Então para haver mais sensibilidade a esta diversidade cultural, as parteiras têm um papel fundamental. Se for possível aumentar o número de parteiras no país, vai haver também um aumento progressivo dos atendimentos qualificados e visitas de rotina. Isso aí melhora também as possibilidades não só para saúde da mãe, mas também para o bebê", disse a especialista do Unfpa.

O Unfpa afirma que os investimentos em parteiras valem à pena. A agência citou o caso de Bangladesh, onde houve um retorno de 1600% em melhorias para a saúde reprodutiva e materno-infantil.

De acordo com a ONU, essas profissionais de saúde ajudam também no cumprimento das Metas do Milênio de reduzir o número de mortalidade infantil e materna.

Atualmente, apenas 22% dos países pesquisados têm parteiras suficientes para atender as necessidades locais.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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