Mais de 70% da população mundial sem proteção social adequada

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Nova pesquisa da Organização Internacional do Trabalho elogia programa Bolsa Família, que beneficia 46 milhões de brasileiros; já na Europa, cortes nos benefícios contribuíram para o aumento da pobreza.

Foto: OIT

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, OIT, mais de 70% da população mundial não está coberta de segurança social adequada. Os benefícios incluem seguro-saúde, seguro-desemprego, licença maternidade, cobertura para acidentes de trabalho e previdência.

Ao lançar um relatório sobre o tema, a OIT lembra que políticas de proteção social são chave para reduzir a pobreza e a desigualdade, além de estimular o crescimento.

Aposentadoria

A nível global, os governos alocam apenas 0,4% do Produto Interno Bruto para benefícios às crianças e às famílias, como saúde e educação. Na Europa Ocidental, os gastos chegam a 2,2%, enquanto na África é de 0,2%.

Quase metade dos trabalhadores em idade para receber aposentadoria não está coberta pelo benefício. E 39% da população mundial não têm nenhum seguro de saúde, sendo que o número chega a 90% nos países de baixa renda.

Exemplo Brasileiro

O Brasil é mencionado diversas vezes no documento, em especial o programa Bolsa Família, que beneficia 46 milhões de pessoas. Segundo a OIT, o custo anual do programa é de US$ 3,9 bilhões, ou quase R$ 9 bilhões.

A agência revela que a iniciativa brasileira já serviu de exemplo para programas similares em 16 países da América Latina e Caribe. Em Nova York, o vice-diretor da OIT, Vinícius Pinheiro, falou à Rádio ONU sobre outros avanços do Brasil.

"É um sistema que é bastante completo em relação à proteção ao ciclo de vida. Tem o Bolsa Família, que vai para as famílias com crianças,  mas também o sistema previdenciário, que protege os trabalhadores quando entram no mercado de trabalho em relação à invalidez, ao risco de doença, acidentes de trabalho, maternidade e velhice. No Brasil uma das principais respostas à crise foi justamente a ampliação dos gastos sociais, em particular do Bolsa Família. Isso, aliado à valorização do salário mínimo, permitiu com que houvesse um aumento da demanda agredada, uma suavização do consumo, portanto suavizando o impacto da crise no Brasil."

Crise 

Além do Brasil, a OIT destaca que outros países de rendimento médio estão ampliando seus sistemas de proteção social. A China está próxima de atingir cobertura universal de previdência e já aumentou de forma significativa o salário mínimo.

Países de baixa renda, como Moçambique, também aumentaram a proteção social, ainda que em níveis baixos de benefício, mas se empenham para construir pisos de proteção social.

Por outro lado, países de renda alta estão na contramão, reduzindo seus sistemas de proteção social. A União Europeia é citada como exemplo, onde os cortes já contribuíram para o aumento da pobreza, que agora afeta 123 milhões de pessoas.

 

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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