FAO quer mudança de foco "para as pessoas" nas políticas florestais

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Agência refere que cerca de 40% da população dos países menos desenvolvidos cozinham com lenha; relatório refere que recolha do produto e do carvão vegetal envolvem 840 milhões de pessoas.

Florestas são meios de subsistência vital para comunidades. Foto: FAO

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, pediu esta segunda-feira um novo foco em relação às políticas florestais dos países.

O relatório O Estado das Florestas do Mundo, com a sigla Sofo, revela que cerca de 2,4 mil milhões de pessoas cozinham com lenha. O documento, lançado em Roma, frisa que o número equivale a 40% da população dos países menos desenvolvidos.

Subsistência

Para a agência, deve haver políticas para manter e potenciar o contributo vital das florestas para os meios de subsistência, a alimentação, a saúde e a energia.

O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que  não se pode garantir a segurança alimentar ou o desenvolvimento sustentável sem a preservação e a utilização responsável dos recursos florestais.

Já o seu ajunto para a área das Florestas, Eduardo Rojas-Briales, frisou que a mudança de foco deve ser "das árvores para as pessoas". Como realçou, esta deve abarcar áreas como recolha de dados, formulação de políticas e produção para os benefícios.

Lenha

Em todo o mundo, uma em cada três famílias utiliza a lenha como principal fonte de combustível para cozinhar. Da recolha do produto e do carvão vegetal dependem 840 milhões de pessoas ou 12% da população.

Em 29 países, a lenha é a fonte de mais da metade da sua energia, incluindo 22 nações africanas. O relatório indica que o combustível é cada vez mais usado nos países desenvolvidos para reduzir a dependência dos fósseis.

Pobres

Uma outra área citada para ilustrar o impacto florestal é a do trabalho, pelo facto de a energia da lenha ser frequentemente a única fonte em áreas rurais menos desenvolvidas com grande importância para os pobres.

A agência alerta que, muitas vezes, o emprego informal nas florestas não vem refletido nas estatísticas nacionais. 

O relatório calcula que cerca de 13,2 milhões de pessoas estão ligadas ao setor florestal formal, enquanto pelo menos 41 milhões estão na área madeireira informal.

Renda

Em África, os informais garantem 27% da oferta de energia primária, sendo 13% na América Latina e nas Caraíbas e 5% na Ásia e na Oceânia.

África contraria a tendência global da produção de madeira. Os toros do continente geraram US$ 11 mil milhões para o total de US 600 mil milhões do resto do mundo em 2011.

Produtos Florestais 

Em termos de orientação de políticas, o Brasil é citado pela FAO como um país que abordou substantivamente o desenvolvimento de empresas de produtores florestais de pequena e média escala desde 2007.

Para a agência, a reforma da lei florestal brasileira criou condições para que leilões de grandes áreas da floresta Amazónica fossem geridos por empresas madeireiras privadas. A medida ajudou a reduzir a demanda pela extração ilegal do recurso.

Em todo o mundo, o contributo dos produtos florestais para gerar abrigos abrange 1,3 mil milhão pessoas.

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