Escritório da ONU diz que mortos podem chegar às centenas no Iraque

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Chefe dos Direitos Humanos aponta para relatos de execuções sumárias e extrajudiciais em Mossul; OMS apoia sistema de saúde e alerta para eclosão de surtos de sarampo e pólio na segunda maior cidade iraquiana.

Navi Pillay. Foto: ONU/ Jean-Marc Ferré

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos disse esta sexta-feira que apesar do total de vítimas civis no Iraque ser ainda desconhecido, há relatos sobre centenas de mortos e cerca de mil feridos nos últimos dias.

Em comunicado, Navi Pillay afirma estar profundamente perturbada com informações da busca e assassinato de soldados, polícias e civis em Mossul após a sua tomada pelo movimento Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

Execuções

Os responsáveis pelos atos seriam os combatentes do grupo armado Isil, que teriam libertado os detidos em prisões locais e equipado com armas para fazer execuções. As ações seriam tomadas pela perceção de que as vítimas estão ligadas ao Governo.

Pillay expressou extremo alarme com a dramática deterioração da situação no Iraque, perante "relatos de execuções sumárias e extrajudiciais aliadas ao deslocamento de cerca de meio milhão de pessoas".

Entretanto, a Organização Mundial da Saúde, OMS, disse que começou a reforçar o sistema de saúde do governo fora dos acampamentos para os que deixaram as suas casas. A agência chamou atenção para o risco de surtos de sarampo e da poliomielite em Mossul.

Fugas

O Alto Comissariado para Refugiados, Acnur, disse que a falta de abrigo é um dos principais desafios para as centenas de milhares de iraquianos que fugiram da violência desta semana na segunda maior cidade iraquiana.

A agência citou o governo a referir que cerca de 300 mil pessoas procuraram segurança nas províncias de Erbil e Duhok, após terem chegado com pouco mais do que as roupas do corpo.

Pillay realça a invasão sucessiva de grandes cidades no princípio da semana pelas forças aliadas ao Isil, ao dar exemplo de execuções de membros do exército.

Um dos episódios foi na captura de Mossul, a 11 de junho, onde também foram mortos 17 civis numa rua da cidade.

Fora de Combate

A responsável adverte às partes em conflito que são obrigadas pelo direito internacional a tratar de forma humana aos membros das forças armadas que tenham deposto as armas ou estejam fora de combate.

Pillay enfatiza que, nessas circunstâncias, o assassinato de todos os tipos, a mutilação, o tratamento cruel e a tortura constituem crimes de guerra.

Hostilidades

Ela lembra aida o dever da tomada de todas as precauções possíveis, em áreas sob o controlo efetivo do Isil, para poupar os civis dos efeitos das hostilidades além de respeitar, proteger e satisfazer as necessidades das populações civis.

Pillay apontou ainda a vulnerabilidade dos civis de serem vítimas do fogo cruzado, de ataques diretos por grupos armados ou de serem presos em áreas controladas pelo grupo e pelos seus aliados.

Ao apontar o risco de grupos vulneráveis, minorias, mulheres e crianças, a alta comissária pediu o fim imediato dos atos de violência e dos abusos contra os civis por violarem leis que incluem o Direito Internacional Humanitário.

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