Após família perder tudo na Síria, jovem recomeça a vida no Brasil

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Majd Soufan conseguiu status oficial de refugiado pelo governo e trabalha em São Paulo; expectativa de rever os pais é baixa, já que ele não pretende voltar à Síria; Dia Mundial do Refugiado é celebrado neste 20 de junho.

Majd Soufan. Foto: Arquivo Pessoal

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Majd Soufan tem 27 anos, nasceu em Damasco e fez faculdade de Engenharia de Comunicação. A família dele era proprietária de uma fábrica de meias na capital síria. Mas com a guerra civil no país, o destino de Soufan tomou um rumo inesperado.

A fábrica de meias foi incendiada e destruída. Segundo Soufan, a família perdeu tudo, até a casa, e agora sobrevive das economias. O pai precisou ir morar com uma irmã e a mãe está vivendo com a sua avó.

Adaptação

O jovem Soufan decidiu deixar o país. Com ajuda financeira de sua ex-professora universitária e de uma família americana, ele resolveu ir para o Brasil. Chegou em São Paulo há cinco meses, onde ganhou o apelido de Miguel.

"Aqui em São Paulo é bom porque as pessoas têm hospitalidade. O problema aqui é casa para alugar, é caro, é difícil. Eu tenho protocolo (de refugiado), carteira de trabalho e CPF. Eu gosto de São Paulo, da comida boa, o clima é mais ou menos e o problema também é o trânsito a todo tempo."

Com a ajuda da Cáritas Arquidiocesana, ONG parceira da Agência da ONU para Refugiados, Majd Miguel solicitou asilo ao governo brasileiro.

Documentos

Ele conseguiu seu visto sem muitas burocracias, já que uma resolução do Conselho Nacional de Refugiados facilita o trâmite para os sírios que fogem do conflito.

Miguel, como gosta de ser chamado, trabalha numa empresa de engenharia da comunicação e mora no bairro do Brás. Conversou com a Rádio ONU especialmente para o Dia Mundial do Refugiado, celebrado esta sexta-feira, 20 de junho.

Dificuldades

O refugiado não tem expectativa de retornar à Síria, porque lá ele não tem casa, nem trabalho. Majd não tem perspectiva de rever a família e sequer pode entrar em contato com os pais a qualquer momento.  

"A situação em Damasco é difícil, tem divisão na cidade. Uma parte com o governo e a outra com a revolução. A comunicação é difícil, nem todo tempo há telefone, internet, de tudo. Luz também não tem em casa, nem água. Meu pai e minha mãe ainda não sei, podem deixar para lá ou não. Meu irmão (está) no Líbano e visitar meu irmão lá não pode. O governo não deixa ela sair.

Segundo Majd, em muitos casos as ligações na Síria são interceptadas pelas forças em conflito. O jovem é apenas um entre 2,5 milhões de sírios que fugiram para outros países desde o início da guerra entre governo e oposição há mais de três anos.

Somente no ano passado, o governo brasileiro reconheceu 284 sírios como refugiados, sendo que todas as solicitações de asilo foram atendidas.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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