Alta comissária da ONU confirma execuções sumárias no Iraque

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Navi Pillay cita ainda relatos de assassinatos extrajudiciais e deslocamento em massa de civis; alta representante para os Direitos Humanos está muito abalada com a situação em Mossul.

Iraquianos deixam Mossul rumo a Erbil. Foto: Acnur/Rocco Nuri

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

Nesta sexta-feira, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos expressou "alarme com a dramática piora da situação no Iraque". Navi Pillay cita relatos de execuções sumárias e assassinatos extrajudiciais, além do deslocamento em massa de meio milhão de pessoas.

O comunicado de Pillay cita o controle de várias cidades iraquianas por forças aliadas do movimento Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil. Segundo a alta comissária, ainda não se sabe a extensão completa da perda de civis, mas relatos sugerem que já são centenas de mortos.

Feridos

O número de feridos pode chegar a mil, e ela afirmou estar muito abalada com relatos de que os rebeldes estão perseguindo e até matando soldados, policiais e civis. Pillay lembrou que o movimento libertou vários prisioneiros das cadeias de Mossul.

O escritório de Direitos Humanos da ONU recebeu relatos de execuções sumárias de soldados do exército iraquiano durante a captura de Mossul e de 17 civis que estavam numa rua da cidade na quarta-feira.

Crimes de Guerra

Navi Pillay alerta aos lados em conflito sobre a obrigação, pelo direito internacional, de tratar de forma humana os integrantes das forças armadas que baixaram suas armas ou estão fora de combate.

Segundo ela, assassinatos de qualquer tipo, mutilação, tratamento cruel e tortura são considerados crimes de guerra. A alta comissária lembra que nas áreas controladas, é preciso tomar precauções e separar os civis das hostilidades, além de respeitar e proteger as necessidades da população.

Saúde

Pillay está "muito preocupada com a vulnerabilidade dos civis em meio ao fogo cruzado, dos que são alvo de ataques diretos de grupos armados ou dos que estão em áreas controladas pelo Isil". Por isso, ela pede fim imediato da violência e dos abusos.

Já a Organização Mundial da Saúde, OMS, está chamando a atenção para o risco de surtos de sarampo e de poliomielite em Mossul. A agência está ajudando a fornecer serviços de saúde aos civis, incluindo vacinação.

Deslocados

A falta de abrigo é um dos principais desafios para os 500 mil iraquianos que deixaram Mossul, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur.

Cerca de 300 mil pessoas que chegaram em Erbil e Duhok fugiram de casa com pouco mais do que a roupa do corpo e muitos estão sem dinheiro e sem ter para onde ir.

No fim da tarde de quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU deplorou "nos termos mais fortes" os acontecimentos recentes em Mossul, incluindo "ataques terroristas contra o povo iraquiano, com a intenção de desestabilizar o país e a região".

*Apresentação: Leda Letra.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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