Acnur alerta que 51,2 milhões de pessoas foram deslocadas à força em 2013

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Relatório da agência da ONU inclui refugiados, pessoas em busca de asilo e deslocados internos em todo o mundo; alto comissário Antonio Guterres disse que "o mundo está vendo o imenso custo de guerras sem fim"; Brasil registrou um aumento de 10 vezes do número de pedidos de asilo.

Mulher refugiada na República Centro-Africana. Foto: Acnur/Sam Phelps

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, anunciou esta sexta-feira que 51,2 milhões de pessoas foram deslocadas à força no mundo em 2013. Elas foram vítimas de perseguição, violência, conflito ou violação dos direitos humanos.

Os dados foram lançados para marcar o Dia Mundial do Refugiado, celebrado esta sexta-feira, 20 de junho.

Síria

O número é quase 15% maior do que o registrado no ano anterior. Pela primeira vez, na era pós-Segunda Guerra Mundial, a quantidade de refugiados, deslocados internos e pessoas em busca de asilo superou os 50 milhões.

O relatório Tendências Globais mostrou que o aumento foi causado, principalmente, pela guerra na Síria, que até o fim do ano passado forçou a fuga de 2,5 milhões de pessoas para países vizinhos e deixou mais de 6,5 milhões de deslocados internos.

Fracasso

O alto comissário da ONU para refugiados, António Guterres, disse que "todos estão vendo o imenso custo de guerras sem fim, do fracasso para se resolver ou prevenir um conflito".

Guterres afirmou que atualmente a paz está em déficit, a ajuda humanitária serve como paliativo e soluções políticas são vitalmente necessárias. Sem isso, ele explica que os níveis alarmantes de conflito e sofrimento em massa vão continuar.

País 

Segundo o Acnur, esses 51,2 milhões de pessoas formariam o 26º maior país do mundo. São 33,7 milhões de deslocados internos, 16,7 milhões refugiados e 1,2 milhão em busca de asilo.

Além da Síria, o relatório mostrou grandes deslocamentos no Sudão do Sul e na República Centro-Africana. Mais de 53% dos refugiados no mundo são de apenas três países: Afeganistão, Síria e Somália.

Já os países que mais acolhem refugiados são, Paquistão, Irã, Líbano, Jordânia e Turquia.

Brasil 

O Brasil registrou um grande aumento no número de pedidos de refúgio, como explicou de Paris, em entrevista à Rádio ONU, o consultor jurídico do Acnur, José Fischel.

“O Brasil tem um regime de proteção de refugiados baseado em dois pilares: um pilar legal, que é a lei, e um pilar institucional, que é o Conare, o Comitê Nacional para os Refugiados. Mas o número de refugiados no Brasil sempre foi muito limitado. Até recentemente, por exemplo, em 2010, não chegavam no Brasil mais do que 500 solicitantes de refúgio por ano, em 2010 foram 566. O que nós testemunhamos nos últimos anos foi uma multiplicação de quase por 10 do número de solicitantes de refúgio. Em 2013, por exemplo, houve 5.256 solicitantes de refúgio.”

Soluções

O Acnur trabalha para encontrar soluções de longo prazo para o problema dos deslocados.

Uma das possibilidades, segundo a agência, é o retorno voluntário dessas pessoas quando possível, mas outras opções incluem a integração no novo local ou a transferência para um terceiro país.

O relatório mostrou que 2013 registrou o quarto nível mais baixo de refugiados que voltaram aos países de origem. Esse é o pior resultado em quase 25 anos.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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