OMS alerta que consumo excessivo álcool mata seis pessoas por minuto

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Relatório da agência da ONU diz que problema pode não só levar à dependência mas aumenta o risco das pessoas desenvolverem mais de 200 tipos de doenças; consumo exagerado mata mais do que Aids, violência ou tuberculose; brasileiros ingerem 8,7 litros de bebidas alcoólicas por ano.

Homem vende vinho de palma em estrada no Timor-Leste. Foto: IRIN/Meagan Weymes

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Mundial da Saúde alertou que 3,3 milhões de pessoas morreram em 2012 vítimas do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Isso representa seis mortes por minuto.

Segundo o Relatório Global sobre Álcool e Saúde 2014, divulgado esta segunda-feira, além de causar dependência, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas aumenta o risco das pessoas desenvolverem mais de 200 doenças.

Câncer e Violência

Entre elas estão cirrose, câncer, tuberculose, pneumonia e outras doenças infecciosas. Os especialistas disseram que o problema pode levar também à violência e a ferimentos.

A OMS afirmou que o consumo excessivo de álcool é responsável por 5,9% das mortes no mundo, mais do que a Aids, a violência e a tuberculose. Ele é responsável também por 5,1% das doenças e dos ferimentos globais.

O relatório cita que cada habitante do planeta com 15 anos ou mais, bebe em média mais de 6 litros de álcool puro por ano. Como menos da metade da população mundial realmente ingere bebida alcoólica, cerca de 38,3%, o consumo sobe, em média, para 17 litros anuais.

De uma forma geral, a Europa é a região que registra o índice mais alto de consumo excessivo de álcool por pessoa. Apesar disso, os números estão estáveis há mais de cinco anos. O mesmo acontece com os índices na África e nas Américas.

A OMS detectou um aumento do consumo nas regiões sul e leste da Ásia e no oeste do Pacífico.

Brasil

O relatório da OMS mostrou que no Brasil, o consumo, em média, é de 8,7 litros por pessoa por ano. Esse dado é relativo ao período entre 2008 e 2010 e representa uma queda comparado aos quase 10 litros consumidos entre 2003 e 2005.

A bebida mais consumida é a cerveja. O país tem as melhores leis para combater o consumo excessivo de álcool, mas o relatório cita que não há, por exemplo, qualquer tipo de restrição ao horário de venda de bebidas alcoólicas ou em relação a propagandas.

Na vizinha Argentina, o consumo médio chega a 9,3 litros por ano. A bebida mais consumida é o vinho.

Os americanos bebem mais cerveja e o consumo é de 9,2 litros por pessoa, por ano.

Como diz o relatório, o consumo assume uma proporção maior na Europa, onde ele varia de 11 a 13 litros por pessoa na Alemanha, na França, na Grã-Bretanha e em Portugal.

A Rússia lidera o grupo com um consumo, em média, de 15 litros anuais para cada habitante.

Entre os países lusófonos, depois de Portugal e Brasil, São Tomé e Príncipe aparece no relatório com um consumo de 7,1 litros, seguido de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste, que tem um consumo de pouco mais de meio litro por pessoa anualmente.

Homens e Mulheres

Os homens são os que mais morrem pelo consumo exagerado, mas as mulheres são mais vulneráveis às doenças causadas pela prática. Os especialistas registraram um aumento constante do uso de álcool pelas mulheres.

O diretor-geral assistente da OMS, Oleg Chestnov, afirmou que "mais precisa ser feito para proteger as populações dos efeitos negativos do consumo excessivo de álcool".

Segundo Chestnov, o relatório mostrou claramente que não há espaço para complacência quando se trata de reduzir o uso nocivo do álcool.

A OMS disse que alguns países já estão agindo para proteger as pessoas, isso inclui aumentar os impostos sobre as bebidas alcoólicas e também o limite de idade para comprá-las. Além disso, estão sendo tomadas medidas para regulamentar as propagandas e o marketing desses produtos.

A Organização Mundial da Saúde tem ajudado vários países no desenvolvimento e na implementação de políticas para reduzir o problema.

Em 2001, a reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas classificou o álcool como um dos quatro fatores de risco, junto com o tabaco, a má alimentação e falta de exercício físico, que contribuem para a epidemia das doenças crônicas.

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